Cultura

'A grande jogada' é competente, mas comprometido por falhas

Ótima atuação de Chastain equilibra decisões questionáveis do diretor e roteirista Aaron Sorkin.




a grande jogada crítica

Jessica Chastain se destaca em A grande jogada, escrito e dirigido por Aaron Sorkin.

RESENHA DA REDAÇÃO

A GRANDE JOGADA (EUA, 2017, 140 min.)
Direção: Aaron Sorkin
Elenco: Jessica Chastain, Idris Elba, Kevin Costner, Michael Cera, Jeremy Strong
★★★☆☆

 

Estreia nesta quinta-feira (22) nos cinemas da Paraíba A grande jogada (Molly’s Game, 2017), filme baseado em fatos reais que marca uma competente estreia de Aaron Sorkin (roteirista de filmes como A rede social e Steve Jobs) no cargo de diretor e apresenta uma atuação irrepreensível de Jessica Chastain como a empresária de pôquer Molly Bloom. Apesar de seus acertos, A grande jogada também sofre com algumas mãos ruins que prejudicam o resultado final.

No início do filme, Molly é uma esquiadora que tenta uma vaga nas Olimpíadas de Inverno de 2002. Nas preliminares para o evento, entretanto, ela sofre um acidente grave que a leva a encerrar a carreira. Para fugir da rigidez do pai, Larry (Kevin Costner), e da perspectiva de frequentar a faculdade de Direito, Molly decide tirar um ano de férias em Los Angeles. Não qualquer tipo de férias, claro: uma série de eventos a levam ao posto de maior promotora de partidas de pôquer ilegais dos Estados Unidos, e estrelas internacionais do cinema, esportes e política disputam para conquistar uma vaga em um de seus jogos multimilionários.

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Sorkin constrói o filme de forma não-linear, com cortes rápidos, e a ascensão de Molly à fama e riqueza é retratada paralelamente à sua queda, quando o FBI desmonta seu esquema e ela enfrenta um processo judicial. A opção traz ao filme um bom ritmo e envolve o espectador, que em certo momento percebe quase com surpresa o quanto está preocupado com o futuro da personagem (deve-se considerar que a ótima atuação de Chastain também desempenha um papel primordial nesse quesito).

a grande jogada crítica

Chastain e Elba em A grande jogada: relacionamento entre advogado e cliente não funciona.

A constante intervenção de Sorkin na narrativa – a inserção de elementos gráficos na montagem, por exemplo – é, entretanto, uma escolha mais infeliz. As explicações são vazias e as metáforas que a narradora-protagonista tenta construir soam presunçosas e irritantes, sem acrescentar nenhum significado ao filme. Uma abordagem próxima ao que pode ser visto em A grande aposta (2015), quando as intrusões do narrador são feitas de forma a esclarecer um tema obscuro como economia, seria muito mais proveitosa e bem-vinda ao público leigo em um filme que trata de pôquer.

As relações pessoais de Molly também não funcionam. As cenas da protagonista com o advogado, Charlie Jaffey (Idris Elba), são ineficientes e forçadas: um sempre tem uma resposta engraçadinha pronta para dar ao outro, e quase todos os diálogos parecem – ironicamente – previamente ensaiados pelos dois. O relacionamento de Molly com o pai, supostamente a veia emocional do filme, é superficialmente explorado. A redenção final de Larry soa inverossímil, e é impossível se compadecer tão rapidamente de um personagem que agiu como um idiota ao longo de toda a exibição. O tom paternalista que ambos o pai e o advogado adotam constantemente para com a jovem também não ajuda em nada.

Entretanto, considerando todas as suas falhas, o filme ainda é uma boa estreia na direção para Sorkin, que conduz o envolvimento de Molly no submundo do vício em jogos e drogas de Hollywood de maneira envolvente e estimulante. Se não uma grande obra, A grande jogada é, pelo menos, um bom entretenimento.


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