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Comunidades em sites de relacionamento podem definir vaga

Candidato perdeu vaga por estar na comunidade ‘Odeio segunda-feira’. Empresas estão de olho em quais comunidades as pessoas freqüentam.




Do G1

A internet no Brasil tem hoje mais de 45 milhões de usuários. A maioria deles tem um perfil na rede. Muitas empresas estão de olho em quais comunidades de sites de relacionamento as pessoas freqüentam, o que pode definir que vaga elas irão ocupar.

Entre as comunidades que podem prejudicar os candidatos estão “Bebo porque é líquido” e “Odeio segunda-feira”.

Eduardo Domingues, especialista em segurança do trabalho, diz que a internet atrapalhou um pouco a vida dele.

“No meio da entrevista, entre capacitação e experiência profissional, veio uma pergunta solta no ar: ‘Por que você detesta segunda-feira?’ Eu, na verdade, não sabia o que fazer. Porque eu não sabia se eu respondia, se eu fugia. E agora? O que eu fiz? Eu admiti. Na própria segunda-feira, dia da entrevista, quando cheguei em casa, foi um suicídio. Eu simplesmente sumi com perfil, comunidades, com qualquer menção que tivesse”, conta Eduardo.

Mas tem também o outro lado da história. Ney Vieira, analista de serviços ao cliente, por exemplo, usou um site de relacionamentos a seu favor na hora de procurar um emprego.

“Pensei comigo: ‘Por que não usar isso em meu favor pra poder descobrir o perfil da minha entrevistadora e criar uma empatia melhor com ela na hora da entrevista?’ Olhei livros que ela costumava ler, lugares que ela freqüentava, músicas que ela ouvia”, conta Vieira.

“Então, eu descobri um dia antes da entrevista também porque eu fui olhar o meu perfil, no site de relacionamento, e vi que tinha uma pessoa que tinha visualizado o meu perfil. Aí, eu lembrei do nome e falei: ‘Peraí. Isso aqui é candidato’", lembra Patrícia Neves, analista de recursos humanos.

“Bom , eu fui contratado", comemora Vieira.

"Tudo o que a gente encontra nas comunidades a gente não pode levar com tanta seriedade. Num processo seletivo a gente checa, mas não é um fator decisório de forma alguma", diz Elis Yamaguchi, diretora de recursos humanos.

“Eu acho importante reforçar que tudo que incita violência, preconceitos ou padrões comportamentais que não são adequados para a sociedade, não é nem questão de processo seletivo, mas o que é aceitável para a sociedade”, afirma.

O que também pode queimar o perfil é cometer erros gramaticais, descuidar da imagem, pertencer a comunidades que demonstram atitudes exageradas.

O conselho de especialistas é: para impressionar bem, deixe claro que você tem uma boa formação acadêmica, mostre que é culto, gosta de ler e fala línguas, e entre em comunidades que levantem bandeiras sociais e ecológicas.

“Os pontos que a gente vai buscar na internet são algum ponto de interrogação que ficou na entrevista pessoal ou num teste psicológico que a empresa aplica. É bem pontual, mas no futuro cada vez mais mais empresas vão entrar em pefis aqui e ali para realmente errar menos", acredita Camila Junqueira, gerente de consultoria.


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