Ciência e Tecnologia

Muito cuidado antes de desabafar opiniões no Twitter

Liberdade de troca de informações prejudica os próprios usuários, que na emoção do momento transmitem mensagens que acabam gerando repercussões negativas.




De Camila Alves (Especial para o Jornal da Paraíba)

Milhões de brasileiros já fazem do Twitter ferramenta indispensável para troca livre de informações. Essa liberdade, contudo, às vezes prejudica os próprios usuários, que na emoção do momento transmitem mensagens que acabam gerando repercussões negativas. A psicóloga Sonaira Amorim foi uma das internautas que sentiu de perto o tamanho do embaraço que 140 caracteres podem causar.

Após chegar de uma festa, ela postou comentários pessoais no microblog à respeito dos acontecimentos da noite. “Coloquei que tinha beijado um ‘narizinho de porrote’, e minhas amigas ficaram comentando sobre o meu post e brincando com isso também”. O que ela não imaginava, é que o tal ‘narizinho de porrote’ viraria namorado dela e, a seguira mais tarde no Twitter. “Ele me adicionou e saiu lendo tudo que eu já tinha postado. Viu o comentário e endoidou, perguntando se eu tinha achado mesmo que ele tinha nariz de porrote e eu fiquei falando que era só brincadeira”, contou Sonaira.

Apesar das explicações, não teve jeito, o post gerou briga entre Sonaira e o namorado. “Ele ficou chateado, com raiva”, revela, explicando que ‘porrote’ caracteriza um nariz grande e grossinho.

A usuária Kharys Anah de Menezes, 23 anos, também teve que ter jogo de cintura para contornar os constrangimentos que advêm de uma ‘tuitada’. Kharys mantinha contato, através da internet e por telefone, com um estrangeiro, que a achou aleatoriamente na rede. “Ele me adicionou no msn e se dizia apaixonado por mim apenas pelas fotos. Fazia declarações, me ligava, mandava mensagem mesmo morando longe de mim”, conta.

Certo dia, Kahrys resolveu fazer comentários da situação inusitada no Twitter, já que o admirador dela não usava a ferramenta – pelo menos não com uma conta própria. “Eu questionei como é que a pessoa se dizia apaixonado pela outra apenas em ouvir a voz e ver fotos. Chamei-o de doido e pertubado por querer me cercar diariamente pela internet e celular. Nunca imaginei que ele iria ver aquilo”, relatou.

Ele a estava acompanhando na rede e ligou de imediato, questionando o porque que ela achava tudo aquilo. “Ele não me deu paz por muito tempo. Morri de vergonha em saber que ele me observava todo o tempo”, completou a jovem.
As experiências relatadas exemplificam que nem tudo que se pensa pode ir parar na rede. A relações públicas e pesquisadora de mídias sociais Juliana Medeiros, alerta que é preciso refletir, antes de transmitir as mensagens. Ela destaca que não é apropriado escrever assuntos muito pessoais, que podem trazer problemas, e que além de tudo não são interessantes para os seguidores.

“A não ser que você seja uma celebridade, aí tudo é válido porque os seguidores vão querer saber”, comenta, acrescentando que há comentários cotidianos que não são relevantes. A exemplo de ‘oi’, bom dia’, ‘boa noite’, ‘acabei de acordar’”, explicou.
O analista de mídias sociais Jader França, 19, estava passando por um período de problemas familiares e resolveu “chutar o pau da barraca em pleno Twitter”. Postou mensagens do tipo: “Às vezes, os pais pensam muito na segurança dos filhos e esquecem da felicidade deles”. Resultado: o comentário gerou curiosidade de diversos amigos de Jader, inclusive da irmã, que ele nem sabia que o estava acompanhando pelo microblog. “A galera começou a perguntar o que tinha acontecido e ficou aquele clima chato com minha família. Bateu um peso na consciência”, contou.

E a cautela na hora de desabafar ou até compartilhar informações pela rede deve ser ainda maior se a pessoa está em um ambiente de trabalho.
A pesquisadora Juliana Medeiros conta que já observou muitos usuários fazendo comentários que se dirigem ao trabalho, em pleno horário de serviço. Mensagens que rementem à tédio, muito vistas na rede, não devem ser postadas, pois podem ‘queimar’ o funcionário com o chefe.

Foi exatamente o que aconteceu com Mário Jorge (nome fictício), que desabafou no microblog o quanto estava com tédio, em pleno horário de trabalho. Um dia antes da postagem ele havia descoberto que a chefe o estava acompanhando, “mas não deu muita importância para o fato achando que por ela ser mais velha não devia acessar muito o microblog”. Engano. A superior viu de imediato o comentário e com a mesma rapidez retrucou. “Ela estava de férias e ficou me perguntando se eu não estava fazendo o mesmo trabalho de antes. Eu disse que sim e tentei amenizar a situação, mas ela continou e falou: “E por que esse tédio todo?”.

 


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