Vida Urbana

Sem citar acusações contra Dom Aldo, Dom Manoel Delson diz que não vai admitir pedofilia na Igreja

Novo arcebispo diz que vai seguir as orientações do Papa Francisco e punir ‘desvios’ dos padres.



Leonardo Silva
Leonardo Silva

Mesmo fazendo uso do habitual tom moderado nos discursos, o novo arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, prometeu rigor na apuração e punição dos casos de pedofilia na Igreja. Ele afirmou que vai continuar acompanhando as denúncias envolvendo religiosos e vai abrir inquéritos internos para investigar novas denúncias, afastando imediatamente os envolvidos. As declarações do novo arcebispo, que deixa a Diocese de Campina Grande, foram dadas em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (8), na Cúria Diocesana.

“As orientações sobre essas questões [pedofilia] são dadas pelo papa e meu dever é acompanhar o que o administrador apostólico já vem fazendo. Se novos casos aparecerem, me cabe imediatamente abrir inquérito interno, encaminha o caso para Roma e afastar o envolvido. A gente sabe que todo pedófilo já foi abusado uma vez, mas em fatos concretos a gente tem que agir para manter a igreja livre dessas circunstâncias”, disse Dom Manoel Delson.

O religioso também prometeu fazer uma análise de padres que envolvidos na política e também verificar o dinheiro usado na igreja. “Farei isso com responsabilidade e humildade. Unindo as pessoas no horizonte de compromisso com a nossa fé e com o que a igreja ensina”, completou.

Em tom de despedida, Dom Delson citou as conquistas alcançadas pela Diocese de Campina Grande e reforçou sua personalidade humilde e seu estilo simples e franciscano. Ele lembrou que conseguiu organizar e constituir setores administrativos. “Dizer que nestes quatro anos e meio foram de muita alegria para mim. Já me sentia bastante integrado”, afirmou.

Dom Manoel Delson vai tomar posse no dia 20 de maio, acabando com o período de vacância após a renúncia de Dom Aldo Pagotto, em meio a uma série de denúncias envolvendo casos de pedofilia e práticas de exploração sexual de menores. A Arquidiocese da Paraíba vinha sendo administrada interinamento por Dom Genival Saraiva.

Entenda a polêmica

Devido a um processo no Vaticano, Dom Aldo estava inclusive proibido de ordenar padres e diáconos e de receber novos seminaristas. Vários representantes da Santa Sé estiveram em João Pessoa para colher maiores informações para a investigação.

Ao renunciar, Dom Aldo divulgou uma carta aos fiéis paraibanos onde não cita abertamente a investigação contra ele. Ele colocou como principal motivo para a decisão problemas de saúde.“Tentei doar o melhor de mim mesmo, não obstante as sérias limitações de saúde, ademais das repercussões no equilíbrio emocional, causadas pela constante necessidade de superar conflitos inevitáveis, advindos de reações ao meu modo de ser e de agir”, afirma. Em junho de 2011, o bispo tinha iniciado um tratamento contra um câncer de próstata.

Campina fica sem bispo até decisão do Papa Francisco

Os próximos passos após a ida de Dom Manoel Delson para a Arquidiocese da Paraíba é a escolha de um Administrador Apostólico da Diocese de Campina Grande. Após o dia 20 de maio, data da posse, o Conselho de Padres, composto por seis vigários, vai escolher o administrador até a nomeação de um novo bispo, que não tem tempo determinado.


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