Vida Urbana

Check-up: um em cada três brasileiros não vai ao médico com regularidade, diz Ministério da Saúde

Junto com os compromissos de início de ano, todo mundo deveria se planejar para fazer uma visita ao médico.




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Dezembro está acabando e eu nem quero parecer um estraga prazer, mas você já parou para pensar nos compromissos de 2019? Vem IPTU, escola dos filhos, material escolar, imposto de renda, IPVA… E por falar em IPVA, como anda a revisão do carro? Principalmente se você planeja viajar e exigir um pouco mais dele, verificar como estão freios, nível do óleo, sistema de arrefecimento, filtro de ar, filtro de combustível, alinhamento e balanceamento e as velas é básico para evitar problemas maiores.

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E o seu corpo, como está? Já percebeu que nem sempre damos a atenção necessária a ele e só quando problemas maiores acontecem é que resolvemos cuidar da nossa saúde? Garanto que 99% dos homens estão em dia quando o assunto é carro, mas quando a gente parte para a saúde, eles perdem – e feio – para as mulheres.

Os dados comprovam que eles são mais relapsos que as mulheres em relação ao seu próprio bem-estar e delegam a outras pessoas (esposa e familiares) a responsabilidade de cuidar de si. A maioria acredita que é indestrutível e que médico é coisa para mulherzinha.

Um terço dos brasileiros não se cuida

Segundo dados do Ministério da Saúde, um em cada três brasileiros não têm o hábito de ir ao médico com regularidade. No entanto, os dados do Sistema de Mortalidade do Ministério da Saúde revelam que a cada três pessoas que morrem no Brasil, duas são homens. O risco co de morte entre os homens é 40% maior do que entre as mulheres – em todas as faixas etárias.

Eles se habituaram, em geral, a evitar ir ao médico. Isso contribui para problemas sérios de saúde pública: os homens são as principais vítimas de infarto, AVC, câncer de pulmão, acidentes de trânsito e alcoolismo.

Pesquisa virou desculpa

Em 2012, a Cochrane realizou uma revisão com 16 grandes pesquisas e quase 195 mil pacientes incluídos e chegou a conclusão que os check-ups não traziam nenhuma vantagem em diminuir o risco de pessoas morrerem. Muitos se valeram disso e passaram a não indicar a realização de exames de triagem para seus pacientes e familiares e outros tantos usaram a pesquisa como desculpa para passar cada dia mais longe dos médicos.

Uma das prováveis explicações para os resultados da publicação da Cochrane é que as pessoas deveriam mudar hábitos que promovem risco e que ao receberem um exame com resultado normal, acham que estão livres do risco e continuam expostas aos mesmos fatores que destroem sua saúde.

Embora haja controvérsia na recomendação de alguns exames, a triagem de algumas doenças, mesmo antes do surgimento dos sintomas, é uma arma fundamental para que complicações sejam evitadas.

Um roteiro para cada idade

Eu costumo dizer que não há limite de quilometragem, opa, de idade para começar a fazer um check-up. A criança na maternidade já faz o teste do pezinho (seu primeiro check-up), um exame que detecta doenças congênitas. Mesmo saudáveis, devem ser acompanhadas por um pediatra – médico especialista em problemas da infância.

Crianças: Na idade escolar, alguns exames de sangue para avaliar o funcionamento da tireóide, fígado, rins e também os níveis de glicose e colesterol é fundamental. Não devemos esquecer dos olhos, uma visita ao oftalmologista pode fazer com que muitos problemas sejam resolvidos ainda na infância.

Adolescentes: Já para os mais crescidinhos, é bom estar atento ao coração. Antes das atividades físicas, lá na adolescência, um eletrocardiograma pode ajudar a avaliar o risco de defeitos congênitos do coração e que não combinam com exercícios.

Mulheres: No caso das mulheres, além dessas avaliações, o ginecologista é peça fundamental. Desde a primeira menstruação, as idas frequentes ao ginecologista são importantes para quem quer manter tudo em dia. O check-up deve incluir exames como o Papanicolau, para detectar lesões precursoras de câncer de colo de útero, e mamografia a partir dos 40 anos.

Homens: Para os homens, é importante ficar de olho no coração. Nós somos mais propensos a morrer mais cedo vítimas de doenças cardíacas. Por isso, é importante não relaxar. Independente do sexo, depois de uma certa idade, é essencial ficar atento aos olhos, eles são como janelas e dizem muito sobre o funcionamento do nosso organismo.

Cada um tem sua particularidade

O mais importante na prevenção é considerar a individualidade e os cuidados preventivos vão ser diferentes de outra pessoa. Esse pacotão de check-up não leva isso em consideração e acaba pecando por excesso. Não adianta pesquisar no “google” a lista e sair fazendo exames por aí.

O médico é a pessoa ideal para indicar quais exames são realmente necessários para você. Ele vai verificar os resultados e orientar caso seja necessário algum tratamento ou encaminhamento para um especialista.

* André Telis é médico cardiologista, colunista de Saúde na CBN João Pessoa e escreve sobre o tema às quartas-feiras no Jornal da Paraíba


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