Vida Urbana

'Questão difícil para Igreja', diz Dom Delson sobre denúncia de crimes sexuais envolvendo padres

Arcebispo divulgou um vídeo onde não cita diretamente condenação e diz que Arquidiocese tem investigação interna.;




Dom Delson disse que estava de férias quando a reportagem foi divulgada (Foto: Reprodução)

O arcebispo metropolitano da Arquidiocese da Paraíba, Dom Manoel Delson, se pronunciou nesta sexta-feira (1º) sobre o escândalo de exploração sexual envolvendo padres paraibanos. Em vídeo publicado nas redes sociais, o religioso não fala diretamente sobre a multa de R$ 12 milhões que a igreja foi condenada a pagar pela Justiça do Trabalho, revelada em reportagem do Fantástico. Ele chama as denúncias de “questões difíceis” e diz que a Arquidiocese está fazendo a parte dela com um processo interno.

“Toda igreja com muita tristeza se vê se envolvida nessa onda de denúncias e sente profundamente que padres estejam sendo denunciados nos meios de comunicação, atingindo o que nós temos de mais sagrado, que é a nossa fé”, afirma Dom Delson no vídeo.

A denúncia que levou à condenação na Justiça do Trabalho cita quatro padres: Ednaldo Araújo dos Santos, Severino Melo, Ruy Braga e Jaelson Alves. Também é citado o arcebispo emérito Dom Aldo Pagotto. De acordo com o processo, os religiosos tiveram relações com coroinhas, seminaristas e também com flanelinhas que atuavam na área da Catedral Basílica de Nossa Senhora.

Dom Delson não fez menção à condenação e destaca o arquivamento da investigação pelo Ministério Público no campo da Justiça comum. “A arquidiocese está fazendo sua parte, existe um procedimento canônico, iniciado com a suspensão de ordem dos padres que foram investigados pelo Ministério Público em processo já arquivado”, pontuou o arcebispo. Ele disse que o procedimento está em fase de conclusão pelo Tribunal Eleciástico Regional Nordeste 2 e depois os pareceres vão ser enviados ao Vaticano.


É preciso destacar que o arquivamento citado por Dom Delson aconteceu por prescrição. O Ministério Público constatou que o tempo para a investigação já teria sido superado.

O arcebispo da Paraíba ressaltou que a igreja não mede esforços para que a Justiça seja feita e que “se houver culpados, que sejam responsabilizados”. “Repudiamos todo e qualquerato que atentem contra a dignidade humana, sobretudo quando se trata dos mais vulneráveis”.

Entidades criticam a Arquidiocese em nota

Coincidentemente, no mesmo em dia em que Dom Delson se posicionou publicamente, a Rede Interistitucional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes da Paraíba, formada por uma séria de entidades e organizações, divulgou uma nota criticando o comportamento da igreja diante do caso .

As entidades afirmam que é inaceitável que a Arquidiocese tenha se posicionado de forma crítica ao processo de investigação instaurado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), “eximindo-se das responsabilidades com atos graves que vão de encontro com as pautas da rede de proteção à criança e ao adolescente”.

O texto faz referência à uma nota divulgada pela Arquidiocese com críticas ao procurador Eduardo Varandas. A igreja alegou que ele teria violado “explicitamente” o sigilo judicial ao falar sobre o caso.

A Rede diz que Varandas sempre foi “um dos expoentes do Poder Público contra a exploração sexual de crianças e adolescentes e tem pautado sua atuação na legalidade, na probidade e no respeito aos primados do Estado do Direito.”

 


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