Vida Urbana

Qualidade da água dos rios Gramame e Abiaí melhorou nos últimos anos, revela pesquisa da UFPB

Bacia do Gramame é responsável por 70% do abastecimento da região metropolitana.




A qualidade da água das bacias hidrográficas dos rios Gramame e Abiaí, no Litoral Sul da Paraíba, melhorou nos últimos dois anos, de acordo com pesquisa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (18), durante audiência pública do Fórum Permanente de Proteção do Gramame, coordenado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB).

Na pesquisa realizada entre 2016 e 2018, não foram identificados metais pesados acima do nível permitido pela legislação, como havia ocorrido no estudo feito em 2008. Entretanto, os pesquisadores constataram a presença de agrotóxicos. No início deste ano, quarenta mil litros de soda cáustica provenientes da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) vazaram no Gramame.

O estudo teve como objetivo identificar o uso e ocupação do solo às margens dos rios e afluentes que formam as duas bacias, localizar as prováveis fontes de contaminação e sua composição e avaliar a qualidade da água dos principais rios que integram as bacias hidrográficas. A bacia do Gramame possui uma área de 589 quilômetros quadrados e é responsável por 70% do abastecimento da região metropolitana de João Pessoa.

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Segundo o 1º promotor do Meio Ambiente de João Pessoa e coordenador do fórum, José Farias de Souza Filho, essa melhoria ocorreu devido à ações realizadas com indústrias instaladas na área da bacia que passaram a tratar seus efluentes.

A pesquisa conteve ainda o estudo químico sobre a qualidade da água e na fauna do reservatório, que verificou a presença de agrotóxicos. “A água tem qualidade mas uma bacia hidrográfica, em um ano, pode perdê-la. Duas são as preocupações principais: a quantidade e qualidade da água”, disse José Farias.

Pesquisa

A pesquisa foi realizada por seis professores da UFPB, das áreas de Química, Ecologia, Geociências e Tecnologia Sucroalooleira. A professora Ilda Salata Toscano, coordenadora do estudo, reitera a melhora detectada na qualidade da água, apesar da detecção de agrotóxicos. “O resultado químico é satisfatório. Os níveis de concentração de agrotóxicos e metais pesados estão em conformidade com com os valores estabelecidos pela legislação”, disse. Ela destaca que foi identificada poluição difusa. “Isso significa que não conseguimos verificar quem é o poluidor”, explicou.

Segundo a professora, o grande problema atual é a poluição causada pela população. “Há criações de animais nessas áreas, esgoto sanitário vai o rio. Temos encontrado, nos pontos de coleta da pesquisa, coliformes fecais, lixo. É necessário que a população ajude o Gramame”, alertou.

Ações

O promotor José Farias disse ainda que, em um primeiro momento, o Ministério Público vai trabalhar, em cooperação, com municípios e o Estado na coleta e tratamento do saneamento sanitário e de lixo. No segundo momento, o trabalho será feito com produtores de cana-de-açúcar e as três indústrias de álcool que estão instaladas na região para controle e diminuição dos agrotóxicos.

O procurador da República José Roberto Godoy ratificou a necessidade do controle social. “É importante a consciência e participação da população para que as ações se tornem políticas públicas. Sem a bacia do Gramame, João Pessoa é inviável”, avaliou.


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