Vida Urbana

Projeto transforma a vida de catadores de latinhas

12 toneladas de materiais recicláveis foram coletados no Parque do Povo.




Enquanto muitas pessoas se divertem, outras tantas trabalham para garantir o sustento das suas famílias e voltarem para casa com a certeza de que fizeram a sua parte para a construção de um mundo mais sustentável e melhor. Foi dessa forma que o Parque do Povo, local que centraliza a maior parte das festividades d’O Maior São João do Mundo, se transformou após a implementação do projeto ‘Recicla São João’, que tem ajudado os catadores de matérias recicláveis a resgatarem a autoestima e a terem uma vida com mais dignidade. 

Para se ter uma ideia, da primeira semana do São João até essa semana já foram coletadas mais de 12 toneladas de materiais recicláveis no Parque do Povo, número que é quase a metade da quantidade de resíduos recolhidos na coleta domiciliar realizada pela prefeitura em toda a cidade (cerca de 7,8 toneladas mensais). Os dados são da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), que estima coletar 15 toneladas de materiais recicláveis até o domingo (3), quando vai ser encerrada a edição 2016 d’O Maior São João do Mundo. Normalmente, esse é o volume de resíduos que os catadores costumam coletar em um mês normal de trabalho nos bairros de Campina.
 
O Recicla São João é realizado por 44 catadores integrantes de cooperativas de materiais recicláveis de Campina sob a coordenação da Sesuma, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e também de Ciência Tecnologia e Inovação. Além de manter a limpeza das ruas do Parque do Povo e fazer a coleta segura dos materiais recicláveis descartados pelos barraqueiros e donos de quiosques, o projeto tem como meta inserir O Maior São João do Mundo na categoria de eventos sustentáveis. 
 
A catadora Maria de Lourdes, 53 anos, que é diretora da cooperativa Catamais e uma das participante desse projeto, destaca a inserção dos cooperados no Recicla São João como uma garantia de melhoria de renda. Ela mora só com o marido e o sustento da família é proveniente do trabalho que ela desenvolve com a reciclagem. “Antes desse projeto o que a gente ganhava acabava sendo ‘uma merreca’. Em maio mesmo só lucramos R$ 286,00 e quando rateamos não deu pra quase nada. Com esse projeto a nossa coleta aumentou bastante. Além ganhar mais, também vamos ajudar a natureza”, pontuou.
 
Dona Maria de Lourdes é  catadora de materiais recicláveis há 20 anos. Ela passou 10 anos trabalhando no antigo Lixão de Campina Grande e depois que começou a fazer parte da cooperativa sua vida melhorou consideravelmente. Ela conta que aprendeu a se orgulhar mais do próprio trabalho, resgatou a autoestima e conquistou uma certa independência financeira também, apesar de todas as dificuldades. “Antes eu tinha uma vida insalubre, de miséria e violência. Hoje está bem melhor, mesmo que a gente não tenha o reconhecimento que merecemos. Esse projeto veio para melhorar a nossa vida. Estamos até pensando como vai ser depois que acabar”, ressaltou. 
 
Para a coordenadora do Meio Ambiente da Sesuma, Denise Sena, as ações desenvolvidas pretendem assegurar a redução dos impactos provocados pelos resíduos sólidos descartados e promover a geração de renda para os catadores das associações e cooperativas do município. Outra proposta é incentivar a reintrodução desses materiais recicláveis no processo produtivo da reciclagem. “O projeto está sendo bem aceito, foi inovador teve a participação efetiva das cooperativas. Está sendo realizado um trabalho muito profissional, garantindo a sustentabilidade do evento e a melhoria de vida das pessoas que estão envolvidas nele”, concluiu.
 
 
Entenda melhor o projeto Recicla São João
 
Durante a noite os catadores de materiais recicláveis coletam os resíduos no Parque do Povo e no dia seguinte o material é levado para as cooperativas. Depois que é levado para os galpões das cooperativas, o material passa por uma triagem para posteriormente ser vendido aos sucateiros. O valor arrecadado com venda do material é dividido entre os catadores de forma igualitária, respeitando as regras de cada cooperativa.
 
Para auxiliar no trabalho dos catadores foi instalada uma unidade fixa e um caminhão da Sesuma, no Parque do Povo, em frente à Pirâmide. Outro auxílio foi a instalação de 160 lixeiras e 80 tonéis em toda a área da festa para manter o espaço limpo e facilitar a coleta dos resíduos.  
 
Os catadores também receberam os Equipamentos de Proteção Individual (EPI´S), doados pelo Ministério Público do Trabalho, além de terem direito a alimentação, transporte e aos serviços do caminhão para transporte dos resíduos. Ao fim dos serviços, eles vão receber um auxílio financeiro no valor de R$ 450,00 (individual), como incentivo e reconhecimento pelo trabalho realizado. São parceiras da Prefeitura no projeto as cooperativas Catamais, Cotramare e Catacampina, além das associações Arensa e Cavi.


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