Vida Urbana

Pescadores reclamam da morte de peixes após vazamento de soda cáustica no Rio Gramame

De acordo com pescador, cinco dias após o vazamento ainda não há condições de tirar nenhum sustento do rio.




Foto: Divulgação/Associação Agrícola dos Moradores do Sitio Engenho Velho

Pescadores que vivem consequências do vazamento de quase 40 mil litros de soda cáustica no rio Gramame reclamam da situação, que chega ao quinto dia nesta quarta-feira (14). A falta de oxigenação no rio e a grande quantidade de peixes mortos impossibilitam o pescado na região, segundo eles.

De acordo com o pescador Sérgio Silva, cinco dias após o vazamento ainda não há condições de tirar nenhum sustento do rio. “Infelizmente continuamos sem pescar e sem fazer nada em todos os sentidos. Não temos condições de tirar nossa alimentação do Gramame. Depois dessa poluição estava até melhorando, mas após o vazamento acabou de vez”, afirma.

Sérgio ainda diz que alguns moradores da região estão se reunindo para procurar uma maneira de cobrar melhorias. “Infelizmente não somos ajudados, ninguém chegou para falar com a gente. A Escola Viva Olho do Tempo [Evot] já vai fazer uns 15 anos e até agora não tivemos nenhuma ajuda dela ou de outro órgão. Nós pescadores não temos direito a nada”, destaca. “A esperança agora é que essa chuva melhore um pouco a situação”.

Organização diz que está monitorando

Já o gestor de Meio Ambiente da Evot, Ivanildo Santana, alega que a escola tem monitorado e feito campanha permanente pelas águas do Rio Gramame, juntamente com outros órgãos responsáveis, desde a sexta-feira (9), quando o vazamento foi registrado. “Até ontem [terça-feira] a água estava com pouca oxigenação, fizemos algumas análises com professores da UFPB e comunicamos a alguns órgãos, a exemplo de Ibama, Sudema, Semam e Ministério Público Federal. Foram encontradas diversas espécies mortas na margem do rio, como cobras, mussum e até mesmo tartaruga.” afirma.

Na segunda-feira (19) a organização vai realizar um novo monitoramento no rio juntamente com o Instituto Federal da Paraíba (IFPB). “Nós recolhemos água do rio no sábado para comparar com as amostras que fomos recolhendo no decorrer da semana. A ideia é que na próxima segunda possamos realizar umas duas ou três coletas em vários pontos do rio para comparar os parâmetros”, afirma o gestor de Meio Ambiente.

Laudos ainda sem data confirmada

A Defesa Civil de João Pessoa ainda não tem uma data específica para a divulgação das análises realizadas no rio. De acordo com Noé Estrela, coordenador do órgão, o recesso de Carnaval prejudicou os resultados. “Entramos em contato com um laboratório da UFPB que estará analisando essas amostras. Assim que recebermos o resultado estaremos divulgando a situação do rio. Enquanto isso, amanhã [quinta-feira] vamos fornecer cestas básicas para os pescadores e moradores da região, que estão sem mantimentos pela falta da pescaria. É da pesca no rio que eles sobrevivem”, lamenta.

De acordo com a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) a situação está normalizada para uso humano e animal desde o sábado (10). O monitoramento (análises da água) que vem sendo feito desde o momento do acidente mostra que o PH está em 6,8 (dentro dos padrões permitidos, que variam de 6 a 9,5). O órgão também destaca que a água distribuída, a partir da Estação de Tratamento de Gramame, em nenhum momento foi afetada pelo rompimento do equipamento, descartando qualquer possibilidade de prejuízos ao consumo humano.

A Cagepa informa que já adotou todos procedimentos administrativos necessários para apurar as causas do acidente e responsabilizar a empresa responsável pelo fornecimento do tanque cilíndrico, visto que o equipamento foi adquirido há pouco menos de cinco anos.

Lembre o caso

Cerca de 40 mil litros de soda cáustica vazaram no Rio Gramame, em João Pessoa, por volta das 12h da sexta-feira (9). Segundo a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) da prefeitura da capital, o vazamento surgiu na Estação de Tatamento da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), localizada na cidade do Conde.


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