Vida Urbana

Passeata no Pedregal sela a paz entre facções criminosas de CG

Moradores apreensivos nas ruas aguardavam o transcurso da caminhada que seguiu sem nenhum incidente.




 Não era um desfile cívico, tampouco uma passeata política. Mas ontem os moradores do bairro Pedregal, em Campina Grande, resolveram sair às ruas em celebração a um anúncio de paz entre as duas facções criminosas que dominam o tráfico de drogas na região, os “Ratos” e os “Peixeiros”, que ao longo do tempo disputavam o controle do crime no bairro. Moradores apreensivos nas ruas aguardavam o transcurso da caminhada que seguiu sem nenhum incidente até o fechamento desta matéria. Já outros faziam questão de registrar com o celular o evento. O que mais se ouvia de todos era que essa paz pudesse durar.

O bairro Pedregal é historicamente um dos setores com maior índice de violência de Campina Grande. No ano passado um ônibus urbano foi incendiado por criminosos em represálias a transferências de presos do Presídio do Serrotão para outras unidades de João Pessoa. Somente em 2015 sete assassinatos foram registrados no bairro.
 
Segundo o pastor Genilson Alves, essa ação foi possível após um trabalho intenso e demorado das igrejas junto aos integrantes das duas facções, os quais se comprometeram a manter a paz na comunidade. “Foi um trabalho de oito anos nos becos e ruas, conversando muito e mostrando a necessidade de paz em nossa comunidade”, disse ele. Emocionada, a aposentada Priscila Pereira, de 90 anos, que mora com a filha no bairro há mais de 10 anos, observou a caminhada e disse que nunca tinha presenciado um movimento como esse. 
 
A passeata foi realizada sem a presença de nenhum homem ou viatura de polícia. O comandante do 2º BPM, major Gilberto Felipe, negou que não haja policiais circulando pelo bairro Pedregal e disse que os integrantes da Unidade de Polícia Solidária (UPS) estão trabalhando e há também uma operação nas proximidades do bairro com mais de 30 homens da Polícia Militar, onde estão sendo abordados diversos veículos. Sobre a manifestação, ele acredita que toda ação a fim de superar o ódio é válida. 
 
 
 

 


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