Vida Urbana

Padre Zé Coutinho pode ser o primeiro santo paraibano

Arquidiocese da Paraíba está colhendo dados para enviar o processo ao Vaticano.




O paraibano monsenhor José da Silva Coutinho, mais conhecido como Padre Zé ou o ‘Pai dos Pobres’, pode virar beato. É o que vai ‘reivindicar’ a Arquidiocese da Paraíba, que está coletando os dados necessários para enviar o processo de beatificação e canonização do padre para o Vaticano – em Roma.

Já constam nos documentos coletados uma petição popular com mais de 500 assinaturas, além de depoimentos de pessoas que chegaram a conhecer mais profundamente o Padre Zé ou familiares de quem foi beneficiado pelas diversas bonanças dele.

A coleta está sendo feita em diversas cidades do Estado, a exemplo de Esperança (local natal do Padre Zé), Areia e João Pessoa (onde localizam-se o Hospital Padre Zé e o Instituto de mesmo nome, ambos fundados e cuidados pelo monsenhor, enquanto vivo).

Segundo o arcebispo Metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto, para complementar o acervo ainda falta todo o relato da vida do padre – como se fosse uma espécie de biografia.

“Precisamos primeiro fazer um grande estudo, coletar relatos de pessoas que obtiveram graças por meio da intercessão de Padre Zé, levantar dados de eventos que o envolveram, o modo como atendia o povo, as virtudes. Há todo um contexto de amor e dedicação”, explicou dom Aldo, ao informar que tudo isso terá que passar pelo crivo do Tribunal Eclesiástico Regional de Olinda e Recife.

O Tribunal, que só existe nas arquidioceses mais antigas, “tem o papel de nos orientar canônica e juridicamente sobre os valores referenciais a serem colocados (para que não haja excessos) no processo”, disse o arcebispo, ao explicar que após essa ‘revisão’ do Tribunal Eclesiástico, a Arquidiocese Paraibana remeterá o processo de beatificação para o Vaticano, em Roma.

Segundo dom Aldo, também terá que ser escolhido um postulador para apresentar o processo (exigência do Vaticano), que consiste em um homem criterioso e estudado. “O Vaticano tem que anuir e aceitar essa pessoa. Mas a reposta sobre o processo de beatificação e uma possível santificação posteriormente leva um bom tempo e depende de muitos fatores”, revelou.

Para que um homem seja considerado beato e depois santificado, a instância eclesiástica tem que confirmar pelo menos dois milagres com intercessão dele. “Quem dá graça é Deus, mas aos santos ou beatos nós invocamos a intercessão”, esclareceu o arcebispo Metropolitano da Paraíba, ao informar que antes de um homem ser beatificado ou canonizado há muitas reuniões de cardiais, em Roma, que analisam profundamente a documentação – “para que não haja mistificação nem leviandade”.