Vida Urbana

Pacientes enfrentam longa espera para realização de cirurgias eletivas

CRM-PB confirma que demora supera os 30 dias e teria como motivo, principalmente, a falta de material para os procedimentos.



Stanley Talião
Stanley Talião
Paulo Eudes Pacífico aguarda por cirurgia ocular e pode perder a visão

Uma espera que pode superar os 30 dias. Este é o período mínimo de quem precisa fazer uma cirurgia ocular na Paraíba e tem que recorrer aos hospitais públicos. A denúncia é do Conselho Regional de Medicina no Estado (CRM) e seria motivada principalmente pela falta de materiais indispensáveis aos procedimentos cirúrgicos.

“A demora por cirurgias eletivas é um problema antigo na Paraíba e acontece com quem precisa de procedimentos oculares e também em casos de urgências de traumatologia. A medicina no Estado está com dificuldades de atender os doentes principalmente pela falta de material e de recursos à saúde. Como é que o médico pode fazer uma cirurgia oftalmológica se falta uma lente ou outro material específico ao paciente?”, critica o diretor do Departamento de Fiscalização do CRM, João Alberto Morais.

O pedreiro Paulo Eudes Pacífico espera por uma cirurgia ocular. Em janeiro do ano passado, começaram os primeiros sintomas e ele, que sofre de diabetes, teve uma sensação incômoda no olho esquerdo, no qual foi identificado um derrame. Logo depois, foi encaminhado ao Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), na capital, onde foi revelado que o olho direito também estava comprometido, mas que o problema poderia ser corrigido com uma cirurgia.

“O tratamento é feito à base de laser no HU, às vezes demorava mais de um mês para marcar. Em dezembro, recebi a notícia de que a retina do olho direito estava deslocada”, conta o paciente. “A médica disse que quanto mais tempo passar, pior. Fiz o tratamento no olho direito também, mas preciso de uma cirurgia para resolver o problema”, explica. Paulo sofre de retinopatia diabética, um dos problemas mais comuns em diabéticos. Com o atraso, a doença pode avançar e comprometer a visão de Paulo Eudes de forma irreversível.

“Os hospitais não estão conseguindo atender os pacientes com agilidade. Há muita demora tanto na preparação quanto na cirurgia em si”, destaca João Alberto. Segundo ele, o problema recai geralmente sobre a falta de estrutura básica de recursos, como aparelhos e medicamentos. “O difícil é você encontrar um hospital onde não há demora para atendimento de cirurgias. Tem gente que espera até três, quatro meses por uma cirurgia, seja ocular, de vesícula ou ortopédica”, revela o representante do CRM.

Nem o CRM, nem o Ministério Público da Paraíba (MPPB) disponibilizaram dados sobre a quantidade de pessoas que esperam por uma cirurgia na Paraíba. Entretanto, o CRM afirma que o problema não é recente e afeta inclusive operações como no caso de fraturas.

 

HU e SES

O superintendente do HULW, Arnaldo Medeiros, explicou que o equipamento necessário para a realização de cirurgias oftalmológicas está em processo licitatório para aquisição. “Se tudo correr como previsto, o equipamento deverá estar disponível entre 30 e 45 dias, mas esse prazo pode se estender se entrar um novo concorrente. Precisamos cumprir todos os trâmites exigidos pela legislação”, garante. Sobre o paciente, o superintendente confirma que ele já chegou à unidade com um quadro grave de retinopatia diabética em um dos olhos e com a doença em estágio avançado no outro, embora com a possibilidade de melhoria em caso de intervenção cirúrgica. “Do ponto de vista clínico, o paciente está sendo acompanhado”, fala.

Já a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) respondeu, por de e-mail, que a pessoa responsável pelo acompanhamento das demandas de cirurgias eletivas na rede pública estadual estava em um compromisso e não tinha como comentar o assunto ontem. (Colaborou Katiana Ramos)

OMS

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a diabetes é uma doença considerada epidêmica. No mundo, ela acomete cerca de 350 milhões de pessoas e deve se tornar a sétima maior causa de mortes em 2030, com um aumento de 50% nos próximos 10 anos. A entidade também alerta que a doença é a principal causa de cegueiras, amputações de membros e falências renais. A retinopatia diabética é comum em pacientes que sofrem de diabetes há mais de cinco anos.


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