Vida Urbana

Os pais da Paraíba: Conheça os nomes que projetaram o estado em nível nacional

Nas várias ciências, a Paraíba também tem figuras importantes suficientes para serem chamadas de “pai”.




Neste domingo (11) o Brasil comemora o Dia dos Pais. A data é responsável pela reunião das famílias com seus pais, e ora desperta alegria, ora desperta emoção. Na Paraíba, não é diferente. Diversas personalidades foram responsáveis por dar nome e nutrir cuidado pelo estado ao longo de suas histórias. 

Dentre elas, separamos quatro grandes nomes da dramaturgia, economia, comunicação e literatura paraibanas que, graças às suas obras, tornaram o nome da Paraíba ainda mais conhecido nessas áreas à nível mundial. Confira abaixo:

ARIANO SUASSUNA

 

Conhecido pela nova geração por ser autor da obra ‘O Auto da Compadecida’, que posteriormente se tornou um filme, Ariano Suassuna foi o grande nome da literatura e da dramaturgia paraibanas. Ariano era filho do ex-governador da Paraíba, João Urbano Pessoa de Vasconcellos Suassuna e de Rita de Cássia Vilar. Nasceu em João Pessoa, mas após a morte de seu pai, por motivos político em 1930, se mudou para Taperoá e de lá foi para Recife.

Na capital pernambucana, Ariano iniciou os estudos e começou a se projetar no cenário literário brasileiro. A primeira publicação foi do poema “Noturno”, no Jornal do Commercio de Recife, e daí em diante, o pessoense não parou de escrever peças teatrais, poesias e artigos. Em 1950, se formou na Faculdade de Direito do Recife, e catorze anos depois, terminou o bacharelado em filosofia.

Em 1955, “O Auto da Compadecida” fez o paraibano ganhar projeção nacional. A obra foi adaptada e exibida em cinemas e televisões de todo o país, e se tornou o filme brasileiro de maior bilheteria nos anos 2000. Ariano também detém a autoria de outros sucessos, como as peças “O Santo e a Porca” e “Torturas de um Coração”, além de diversos poemas escritos ao longo de toda sua vida.

Ariano também ocupou a 32ª cadeira na Academia Brasileira de Letras, e foi membro da Academia Pernambucana de Letras (a partir de 1993) e da Academia Paraibana de Letras (a partir de 2000). Em 2014, aos 87 anos, o escritor paraibano sofreu um AVC e faleceu, em Recife. A conhecida frase “não troco meu oxente pelo ok de ninguém” representa perfeitamente o zelo que Ariano tinha e deixou a quem é da região nordestina, e para a Paraíba, sua vida e obra evidenciam, ele foi um pai. 

CELSO FURTADO

 

Outro paraibano responsável por levar o nome do estado aos livros de história do Brasil, foi o economista e pensador Celso Monteiro Furtado. Ele nasceu em Pombal, no Sertão paraibano e ao longo de sua vida trilhou diversos caminhos que o tornaram um profissional conhecido mundialmente pela sensatez e ousadia na forma de lidar com assuntos da área de economia política.

Celso foi bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1944), Doutor em Economia (1948) pela Universidade de Paris (Sorbonne), e realizou estudos em várias instituições de renome internacional. Durante a segunda guerra, participou da Força Expedicionária Brasileira, e logo após sua passagem pelo setor, atuou como técnico de administração do governo brasileiro. Posteriormente, se tornou economista da Fundação Getúlio Vargas. Também foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e, posteriormente, ocupou lugar na Academia Brasileira de Ciências.

O economista paraibano acumulou cargos e prêmios até 2004, ano em que faleceu. Seus conceitos na área de finanças políticas são reconhecidos e analisados pela academia brasileira até hoje. A forma pragmática como Celso conduziu seus estudos o fez ganhar notoriedade no cenário da economia brasileira, e hoje, sua história e pesquisa podem ser vistas com orgulho e apreço pelo paraibanos que têm a oportunidade de carregar a origem de Celso Furtado.

ASSIS CHATEAUBRIAND

 

Natural da cidade paraibana de Umbuzeiro, Assis Chateaubriand se sagrou como um dos maiores nomes da comunicação no Brasil.  Assis era chamado de “Cidadão Kane”, famoso personagem da história do jornalismo mundial, e foi um dos pioneiros brasileiros na área de telecomunicações. Ao longo de toda sua vida, Assis trabalhou em diversos jornais e contribuiu para o avanço tecnológico comunicacional. Ainda jovem, escreveu para diversos jornais, e se tornou dono do primeiro maior conglomerado de mídia do país.

O magnata ainda se formou em direito e ocupou a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras. Tempos depois, se tornou senador pelo estado da Paraíba, e passou a se dedicar também ao mundo da política. Assis criou o Museu de Arte de São Paulo (Masp) em 1947, e apesar de passar grande parte de sua vida no sudeste, Assis Chateaubriand nunca negou a origem paraibana. Em 4 de abril de 1968, ele faleceu, em São Paulo. 

Hoje, os paraibanos podem conhecer a história do renomado jornalista através de obras expostas por museus em todo o estado, e em diversas cidades, ruas e instituições recebem o nome do escritor, advogado, professor, jornalista e empresário Assis Chateaubriand. Pela trajetória mais longínqua do que era esperado na época, foi um dos responsáveis por tornar a Paraíba conhecida por onde passou.  

AUGUSTO DOS ANJOS

 

Outro pai para a Paraíba foi poeta Augusto dos Anjos. Ele nasceu no Engenho Pau d’Arco, no município de Sapé, e compôs os primeiros versos ainda aos sete anos de idade. Foi educado academicamente pelo pai até ingressar na Faculdade de Direito do Recife. Se formou na área, mas nunca chegou a atuar como advogado porquê seu fascínio pelos livros, os quais o rodearam durante a infância, o tornou um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Augusto foi um dos poetas mais críticos de seu tempo, publicou seu primeiro artigo, intitulado “Saudade”, em 1900. Na época, era chamado de louco por proferir versos de temas até então considerados polêmicos mas hoje, é conhecido por ser patrono da Academia Brasileira de Letras, além de ocupar o mesmo cargo na Academia Leopoldinense de Letras.

O paraibano morou no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Nesse último estado, faleceu precocemente aos 30 anos de idade, em 1914, vitimado por uma pneumonia.  Durante os últimos meses de vida, Agusto morou onde hoje funciona o Museu Espaço dos Anjos. Em 2017, a população de Sapé, cidade em que Augusto nasceu, realizou diversas atividades para comemorar os 135 anos de nascimento do poeta, que, sem dúvidas, entrou para a história da literatura nacional e estadual.


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