Vida Urbana

ONGs se unem para salvar animais domésticos abandonados nas ruas de CG

Pessoas e entidades sem fins lucrativos são dispostas a cuidar de cães e gatos com os mais diversos problemas




Na última semana, a estudante de jornalismo Luísa Vilar esperava o marido em frente a uma farmácia, em Campina Grande, quando ouviu um tímido, mas inconfundível chamado vindo de baixo de um carro. Era um gatinho, que, abandonado no local, sentia frio e fome, e parecia ter reconhecido em Luísa alguém que o acolheria. E acertou. A estudante o chamou e o colocou dentro de seu capacete, para abrandar o frio, enquanto esperava o marido, Rudyard, no local. Quando ele chegou, a questionou: “Pra onde você vai com esse gato?”, ao que a estudante respondeu: “para casa”. Não era a primeira vez que o marido de Luísa presenciava uma cena como essa. Na verdade, era a sétima. E essa é a história de adoção do último gato que a estudante recolheu das ruas e acolheu em sua própria casa.

Apaixonada pelos felinos desde a infância, Luísa conta que não resiste ao sofrimento dos gatinhos abandonados à própria sorte nas ruas, sendo, muitas vezes, vítimas de maus-tratos. Por isso, desde que veio morar em Campina Grande, há cerca de três anos, já acolheu sete deles para cuidar. Em comum, os gatos tinham um histórico de negligência e rejeição por parte de seus primeiros donos, que se transformou em cuidados e carinho vindos de Luísa, do esposo e dos dois filhos do casal.

Uísque, adotado há dois anos, foi o primeiro dessa família. “Jogaram ele na casa de um conhecido nosso, no quintal. Ele colocou para adoção e então, decidi que ficaríamos com ele”, relatou a estudante e prosseguiu com as demais histórias. “Baleia foi a segunda. Eu sempre ia no Centro de Zoonoses visitar os animais e prestar alguma ajuda, e sempre dizia que iria adotar um dos gatinhos. Aí aconteceu que um dia, uma gatinha muito feia se ‘pendurou’ na minha roupa e não saiu mais. Foi ela que me escolheu”, relembra. O amor de Luísa pelos felinos, no entanto, parece não ter fronteiras. O terceiro, ela foi buscar em João Pessoa. “Uma amiga me falou que no prédio dela rejeitaram a mãe e dois filhotinhos, que eram fêmeas e por isso ninguém queria. Então eu fui lá e trouxe uma”, disse.

Até esse momento, a família de Luísa era composta por ela, o marido, dois filhos, de 12 e 8 anos e três gatos, sendo um macho e duas fêmeas. No entanto, há cerca de três meses, a família dobrou. “Estávamos voltando para casa quando vi que passamos por cima de um gato. Imediatamente meu marido parou. Para a nossa felicidade, não batemos. Eram três gatinhos novos, muito doentinhos. E resolvi trazê-los para casa para cuidar até que estejam saudáveis”, contou a estudante. Agora, na casa de Luísa, há sete gatos, e não falta amor e cuidado para eles.

Os dois gatos machos que Luísa adotou são castrados. Todos são vacinados e levados para cuidados veterinários.

Papel das ONGs para salvar os animais

Não é raro notar a presença de animais domésticos, que passam a viver nas ruas de Campina Grande sem o cuidado devido, pelo abandono dos donos. Preocupadas com essa situação, várias organizações não governamentais se formaram na cidade. Elas reúnem pessoas dispostas a cuidar de cães e gatos com os mais diversos problemas. Em Campina Grande, existem pelo menos duas instituições desse tipo, e a Adota Campina, que hoje acolhe cerca de 60 cães e gatos é uma delas.

A entidade existe desde novembro de 2006 e surgiu a partir da sensibilidade de Bárbara Barros, hoje presidente da ONG, que ao ver um gato doente abandonado na rua decidiu levá-lo para ser cuidado em sua casa. “Decidi que iria cuidar dele e dos outros animais para que eles não passassem por aquele sofrimento. Nesse momento, eu ficava com eles em casa, depois eles já estavam também na casa de amigos, familiares, no trabalho, por todo lugar”, relembra. Atualmente, a Adota Campina é formada por 12 pessoas.

Além das ONGs, boa parte dos animais que vivem nas ruas de Campina Grande são recolhidos pelo Centro de Zoonoses do município. Mas sofrem com a superlotação. A capacidade é para 90 animais, só que hoje, existem 411, uma população quatro vezes maior que a permitida.  Dos animais recolhidos no local, 194 são cães e 154 gatos, os demais são cavalos, jumentos e burros. “As pessoas têm que ter consciência que os animais não são objetos descartáveis”, disse a gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses do município, Rossandra Oliveira.

Segundo a Polícia Civil, quem abandona um animal pode pegar de 10 dias a um mês de prisão. Ou pagar multa. Quando se trata de maus-tratos, a pena varia de três meses a um ano de prisão, além da multa.

Palestras e castração

Em 2013, existia em Campina Grande cerca de 70 mil animais errantes, com uma média reprodução diária altíssima, de acordo com a gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses, Rossandra Oliveira. Para amenizar a multiplicação desses animais, principalmente os domésticos, que representam a maior população, o Centro de Zoonoses desenvolve ações na cidade. Desde palestras até a castração de animais. As entidades de defesa dos animais também lançam rifas e arrecadam doações para custear a castração de animais de rua.

Outra saída para a redução da população de animais em Campina Grande seria o “Castramóvel”, um veículo que circularia na periferia da cidade oferecendo gratuitamente à população o serviço de castração de seus animais. O serviço está previsto numa emenda à Lei Orçamentária Anual da cidade aprovada pelo vereador Olímpio Oliveira, em dezembro de 2015. Segundo ele, o objetivo do serviço é popularizar os procedimentos de esterilização cirúrgica de cães e gatos com a finalidade de educação em saúde, guarda responsável e controle populacional.

Mesmo com as ações de castração realizadas nos animais, Rossandra Oliveira afirmou que o resultado só poderá ser percebido depois de 5 ou 10 anos. 

 


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