Vida Urbana


Brinquedo não tem gênero. Brincar para ser liberto!

Segundo a psicóloga, a oposição criada nas tarefas dos meninos e meninas é um passo para promover a discriminação social e o preconceito.




Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
Rebeka explica a sua filha Valentina que não existe diferença de cor e brinquedo de menino e menina.

Ficou no passado o tempo em que só se era permitido às crianças os brinquedos considerados para os seus gêneros. Bola para menino e boneca para menina já não é mais uma regra unânime entre as famílias, e cresce no dia a dia a ideia de deixar os pequeninos e pequeninas à vontade na hora de escolher com o que brincar.

A escolha de uma menina por uma bola na hora da brincadeira não vai retardar em nada o seu desenvolvimento, pelo contrário. É o que defende a fisioterapeuta Tiale Lucena, de 26 anos, é mãe da pequena Maria Alice, de 4 anos, que gosta de brincar com carrinhos. Alice tem o privilégio de poder escolher o brinquedo ou a brincadeira que queira no seu momento de lazer, sem nenhuma interferência dos pais, simplesmente por ser menina. "Ela brinca com todos os brinquedos que quiser, não deixo apenas os que vejo que podem machucá-la", diz a mãe. Alice ainda tem outro privilégio: nunca enfrentou nenhum tipo de problema por brincar com brinquedos considerados de meninos. "Seja na escola ou não, ela sempre interage muito bem com os amiguinhos e amiguinhas", acrescenta a mãe.

As crianças por estarem em fase de formação das suas ideologias e personalidades são influenciadas a todo momento, seja em casa ou na escola, com a separação do que é caracterizado como de menino e menina.

A estudante Rebeka Carvalho, que é mãe da pequena Maria Valentina, de 3 anos, faz questão de conversar com a filha e descontituir o pensamento 'separatista'. "Sinto um pouco dessa separação na escola. Às vezes a Valentina comenta que ouviu na escola que certa coisa é para menino ou que tal cor é de menina, mas aí eu explico que isso não existe, e ela tem entendido bem, até porque brinca com uns herois de um amigo", diz a mãe.

De acordo com a psicóloga Edna Alexandre, é esperado que a relação da educação familiar com a educação escolar seja conflituosa, considerando que um tema tratado em casa pode ser tratado de forma oposta na escola, já que cada família em si deve ser analisada como uma sociedade a parte. Mas a psicóloga alerta que a separação de papéis sociais plantado na mente das crianças pode promover no futuro a discriminação social e outras expressões de preconceito.

"A oposição de papéis criada na mente da criança menino e da criança menina é uma forte maneira de promover a discriminação social e outros tipos de preconceito no futuro, além de não permitir que a partir das brincadeiras, as crianças trabalhem toda sua subjetividade e desenvolvam seu pensar e criatividade", disse a psicóloga.