Vida Urbana


Saiba como identificar o comportamento suicida de alguém

 17% das pessoas no Brasil já pensaram em tirar a própria vida.




Divulgação/Netflix
Divulgação/Netflix
Segundo a ABP, todos os anos são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e mais de 1 milhão em todo o mundo

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), todos os anos são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e mais de 1 milhão em todo o mundo. A ABP afirma também que 17% das pessoas no Brasil já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Com dados tão alarmantes, é importante entender mais o problema e reconhecer os sinais que um suicida dá antes de tentar fazer algo do gênero.

Para alertar sobre o problema, a campanha do Setembro Amarelo nasceu para conscientizar a população sobre a prevenção sobre suicídio. De acordo com a ABP, este trabalho surgiu para disseminar informações que podem auxiliar a desmistificar o tabu em torno do assunto e ajudar médicos a identificar fatores de risco, tratar e instruir seus pacientes. A primeira atividade da campanha foi em 2014, em Brasília. O tema tambem foi retratado na série da Netflix 13 Reasons Why, em que a personagem Hannah Baker se suicida e deixa 13 fitas explicando o ato.

Como identificar

O que leva uma pessoa a pensar ou chegar a cometer suicídio? Segundo a ABP, “o suicídio pode ser definido como um ato deliberado, de forma consciente e intencional, usando um meio que ele acredite ser letal”. O comportamento suicida vai num crescente que envolve desde pensamentos até planos e a tentativa de suicídio. Trata-se de uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais. Sendo assim, o pensamento suicida deve ser considerado como o desfecho de uma série de variáveis que se acumulam na história do indivíduo, não podendo ser levado em conta apenas determinados acontecimentos pontuais de sua vida.

Porém, alguns fatores de risco devem ser levados em consideração, como sentimento de desesperança, desamparo e desespero. “Muitas pessoas com intenção suicida expressam, de modo sutil, o desejo de morrer. Falam de sua falta de esperança, do sentimento de culpa e de a vida não valer mais a pena. Amigos, familiares, pessoas que tenham contato com alguém demonstrando tristeza profunda e com discurso pessimista precisam levar em consideração o risco de suicídio”, recomenda o psiquiatra e psicanalista Mario Louzã.

Fique atento aos seguintes sinais:

  • Tentativa prévia de suicídio: fator de isolamento mais importante. Pessoas que tentaram suicídio previamente tem 5 a 6 vezes mais chances de tentar novamente. Estima-se que 50% daqueles que se suicidaram já haviam tentado previamente.
  • Doença mental: suicidas normalmente sofrem de alguma doença mental, não diagnosticada ou não tratada de forma adequada. Os transtornos mais comuns são depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso de outras drogas.

Ao menor sinal de algum desses sintomas, é de extrema importância procurar ajuda especializada. Psicólogos e psiquiatras são os indicados para tratar de doenças mentais e tratar dos impulsos suicidas. Em momentos de crise, órgãos como o Centro de Valorização da Vida (CVV) podem auxiliar. Quem precisar de ajuda pode entrar em contato com o CVV pelo site ou pelo telefone 141. O atendimento é gratuito e sigiloso a todas as pessoas.