Vida Urbana


Reação a assalto aumenta risco de vida da vítima, diz especialista

Três casos de reação terminaram com vítimas mortas na Paraíba. 




A recomendação de não reagir a uma tentativa de assalto é sempre algo repetido e reforçado pelas instituições e órgãos de segurança. Mas essa nem sempre é uma reação natural em casos quando uma vítima passa pela situação. Três casos registrados nas últimas semanas em cidades da Paraíba terminaram com resultados trágicos devido a reação das vítimas diante de bandidos armados. 
 
O primeiro caso aconteceu no dia 15 de agosto deste ano na cidade de Campina Grande. Um comerciante identificado como Josenilton Balduíno de Brito, de 47 anos, realizava compras na sede da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), quando foi abordado por dois suspeitos, um deles armado e reagiu. A vítima resistiu em entregar um pacote de dinheiro exigido pelos bandidos e ainda lutou com um dos suspeitos durante vários segundos até ser atingido por um disparo de arma de fogo. Ele não resistiu e morreu no local. O caso ganhou repercussão em todo o estado após a divulgação das imagens gravadas por câmeras de segurança no interior do prédio, que mostraram como aconteceu a ação.
 
Em São José do Cariri, na região da Borborema, um motorista identificado como Moisés Tibúrcio de Lima, de 41 anos, seguia viagem em um veículo de entrega quando foi abordado por um casal em uma motocicleta. Ele não obedeceu o comando de parada para o assalto e atropelou os suspeitos. Um deles mesmo ferido devido a colisão dos veículos, revidou a reação da vítima e atirou contra o motorista, que não resistiu e morreu no local. O caso aconteceu na última quinta-feira (31).
 
Na capital paraibana, em João Pessoa, um vigilante particular de uma escola identificado como Fábio Alves de Lima, de 38 anos, foi baleado na cabeça ao tentar evitar um assalto a uma mãe de uma estudante no momento em que elas chegavam no local. O caso aconteceu na última sexta-feira (1) e a vítima acabou não resistindo ao tiro disparado pelo assaltante, vindo a falecer na tarde deste sábado (2) no Hospital de Trauma.
 
Reagir é sempre perigoso 
 
Segundo o delegado da Polícia Civil e especialista de Gestão Estratégica em Segurança Pública, Danilo Orengo, a reação da vítima diante um momento de assalto é um perigo à vida. “A situação de um assalto exige muita atenção, a possibilidade de não acontecer nenhum risco à vida da vítima durante um comportamento de reação é sempre mínima. O correto é buscar manter o equilíbrio, passar aquilo que o assaltante pede e não tentar qualquer forma de confronto com ele. Infelizmente é uma situação difícil, mas a reação não é solução”, disse.
 
O delegado comentou ainda que a justiça pelas próprias mãos não pode ser alimentada como uma solução. “Existem vários vídeos que são divulgados mostrando a reação de vítimas que conseguem frustrar assaltos e em alguns casos até ferir o bandido. Esse contexto de resolver a situação reagindo pelas próprias mãos nem sempre tem um final feliz. Não dá para adivinhar com quem o bandido está acompanhado e se ele anda armado ou não. A reação a um assalto, independente do contexto, aumenta o risco sobre a vida da vítima. Cada caso é diferente e o certo é não reagir”, ressaltou Danilo Orengo. 
 
A psicóloga Tessya Hyanna explica que a reação da vítima depende do momento. “A forma de reação vai depender de indivíduo para indivíduo, cada qual reage de uma forma e possui seu próprio mecanismo de defesa. Depende também da forma como ocorre a abordagem, claro, em um caso de um assalto é sempre uma situação de susto e muito risco. A orientação da psicologia é tentar ficar calmo e atender ao bandido. Um pequeno susto, por exemplo, pode interferir em uma interpretação diferente para o assaltante e colocar a vida da vítima em perigo”, comentou.