Vida Urbana


Corpo de Dom José Maria Pires é velado na catedral de João Pessoa

Corpo do religioso chegou ao estado durante a madrugada. Enterro acontece no final da tarde.




Eisenhower Almeida/Arquidiocese da Paraíba
Eisenhower Almeida/Arquidiocese da Paraíba
Fiéis e religiosos acompanham se despedem de Dom José desde a madrugada

Começou durante a madrugada desta terça-feira (29) o velório do arcebispo emérito da Paraíba Dom José Maria Pires na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, em João Pessoa. O corpo do religioso chegou ao estado pouco antes das 2h. O enterro está previsto para acontecer no final da tarde, na própria catedral.

O caixão de Dom José deixou o aeroporto Castro Pinto em um carro do Corpo de Bombeiros e acompanhado de um cortejo. Muitos fiéis já esperavam a chegada do corpo do arcebispo na catedral. O velório começou após uma oração do arcebispo Dom Manoel Delson.

Para facilitar o acesso dos fiéis que querem se despedir de Dom José, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob) vetou o estacionamento nas vagas existentes no entorno da catedral. A medida começou a partir das 6h.

A catedral vai ficar aberta durante todo o dia para as despedidas do povo a Dom José. Várias missas vão ser celebradas durante o dia.Às 16h, terá a última celebração, de Corpo Presente, presidida pelo Arcebispo Dom Delson. O sepultamento acontece em seguida,

Dom José Maria Pires morreu em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, onde residia, no domingo (27). Ele estava internado em um hospital para o tratamento de uma pneumonia. O religioso foi levado para a unidade de saúde após participar de uma celebração. Por conta disso, de acordo com a Arquidiocese, a Igreja considera que ele faleceu trabalhando.


Quarto arcebispo da Paraíba

Dom José nasceu em Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, em 15 de março de 1919 e foi o quarto arcebispo da Paraíba. O arcebispo emérito entrou no seminário aos 14 anos e ordenou-se padre aos 22 anos, em Diamantina. Sua ordenação a bispo veio em 1957, e a arcebispo, em 1966. Ele renunciou ao cargo em 1995, a partir de quando passou a figurar como arcebispo emérito.

Próximo de Dom Hélder Câmara, Dom José foi um símbolo da resistência ao governo militar. Teve também participação valiosa nos conflitos pela terra na Paraíba, ao defender camponeses.

Participante ativo da luta pelos direitos dos negros, em 2013, publicou o livro “A cultura religiosa afro-brasileira e seu impacto na cultura universitária”. Quando se tornou emérito, voltou a ser pároco de Córregos e Santo Antônio do Norte, no Vale do Jequitinhonha, onde se dedicou também a um projeto de geração de renda para centenas de famílias carentes dessa região. Nos últimos anos, residia na Arquidiocese de Belo Horizonte.