Vida Urbana


Aos 13 anos, estudantes cultivam tomate para irem à universidade

Irmãs gêmeas, naturais do Sertão do estado, buscam inspiração na vida simples do campo para realizar sonhos.




Divulgação: Gilberto Ângelo
Divulgação: Gilberto Ângelo
Rotina de estudos e trabalho das irmãs nasceu no Sitio Alto Quente

Estudar e trabalhar nem sempre é fácil, mas essa rotina faz parte da vida das irmãs gêmeas Maria Laísa Vitorino de Sousa e Maria Lace Vitorino de Sousa, naturais do município de Conceição, na região do Sertão, como um estímulo para realizar o sonho de estudar em uma universidade.
 
Elas têm 13 anos e são filhas do casal de agricultores Gerson Carlos Vitorino de Santos, de 40 anos e Francineide Rodrigues dos Santos, de 41 anos. A rotina de estudos e trabalho das irmãs nasceu no Sitio Alto Quente, comunidade rural distante 16 quilômetros de Conceição, onde elas moram com os pais e auxiliam a família na produção de horticultura.
 
O pai Gerson Carlos disse que as filhas estudam o oitavo ano em uma escola pública, próxima um quilômetro e meio de casa, e que há dois anos a rotina da família mudou quando as irmãs decidiram construir um sonho. “Elas sempre acompanharam a nossa rotina de trabalho, mas há dois anos quando completaram onze anos, se reuniram e fizeram um pedido. Cultivar um plantio de tomates cerejas e começar a construir uma economia para realizar o sonho de estudar em uma universidade no futuro”, disse.
 
A mãe das gêmeas, Francineide Rodrigues, revelou que a ideia surpreendeu a família. “Foi uma surpresa, porque inicialmente pensávamos que fosse uma brincadeira, mas depois observamos que realmente era algo sério. Apoiamos o desejo delas e construímos juntos um espaço para a produção do tomate-cereja. Elas cuidam da horta um horário e o outro período estudam”, ressalta.
 
Estudos e inspiração 
 
A vida simples do campo segundo a adolescente Maria Lace é a grande fonte de inspiração para realizar o sonho dos estudos. “Eu gosto muito da vida no campo. É tudo simples e ao mesmo encantador pela tranquilidade. É neste ambiente que busco inspiração e tenho, aos poucos, conseguido avançar nos estudos. O objetivo para o futuro é ser universitária e estudar medicina veterinária”, revela.
 
Já Maria Laísa conta que a semelhança com a irmã não fica apenas na aparência. Ela também pretende estudar medicina veterinária e ressalta que o cultivo da produção do tomate-cereja vai além da condição da geração de renda. “Gostamos da atividade prática e tudo acaba sendo prazeroso, porque é feito em família. Somos parecidas fisicamente e temos também gostos semelhantes, também pretendo estudar veterinária. A ideia do cultivo vai além da renda, porque gostamos do cuidado com a terra”, disse.  
 
Produção e Comercialização
 
Por semana a produção do tomate-cereja atinge até 20 quilos. O processo do cultivo é feito de forma artesanal e colhido pelas próprias adolescente gêmeas. Os pais Gerson e Francineide também acompanham o crescimento do plantio e os são responsáveis pela comercialização do produto em feira livre. A família participa durante a semana de duas feiras,aos sábados na cidade de Conceição e todas as segundas no município de Bonito de Santa Fé. “Tudo é feito com a força de união da família. Desde o cultivo da semente até a organização dos produtos e o transporte para comercialização na feira”, concluiu o pai das irmãs.