Vida Urbana


Filhos vão utilizar a internet para encurtar distância no Dia dos Pais

 Apesar de não substituir o abraço, tecnologia ajuda a apaziguar saudade. 




Se por um lado há quem diga que a internet e as redes sociais criam abismos nas relações interpessoais, para quem sofre com a distância ela acaba ajudando e muito a apaziguar a saudade. Filhos que saíram de casa em busca de sonhos profissionais ou mesmo conquistas pessoais contam que devem se socorrer às tecnologias para estar mais próximo do pai neste domingo, Dia dos Pais.

É o caso da jornalista Cecília Avelino, de 29 anos, que mora na cidade de Lyon na França. Ela é mais uma pessoense que trocou a Paraíba para morar fora do Brasil e vai recorrer à tecnologia para matar a saudade do pai, Edmundo Coelho Barbosa, de 67 anos. “Meu pai gosta muito de fazer videochamadas, às 

vezes não conseguimos devido às diferenças de horários. Vamos conversar sim no dia dos pais, interagimos muito pelas redes sociais, mas especialmente nesta data vou ligar para conversar muito com ele. Já está tudo planejado”, disse.

Ceci Avelino conta que a internet tem sido o principal meio de comunicação com o pai, que está sempre presente mesmo à distância. “Meu pai nos últimos cinco anos veio me visitar quatro vezes. Passamos momentos muitos especiais, mas o dia dos pais mesmo não passamos juntos há cinco anos. Ele conversa muito pela internet comigo, faz questão de ligar, enviar vídeos e imagens, ou seja, apesar da distância estamos sempre conectados”, conta.

Primeira experiência 
 
A tecnologia vai ser o socorrer, pela primeira vez, o Dia dos Pais da estudante baiana Melina Nicácio, de 21 anos, que reside na cidade de Patos, interior da Paraíba desde 2014. Natural de Itabuna, município situado no Sul do estado da Bahia, a estudante veio morar na Paraíba quando foi aprovada no vestibular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) para graduação de engenharia florestal. “Viver a mil e quatrocentos quilômetros de distância de casa não é fácil”, conta a estudante.
 
Melina disse que visitou a família o ano passado, mas devido o calendário das férias divergente com as datas comemorativas, há três anos não abraça o pai Ronaldo Soares da Luz, de 50 anos, no dia dos pais. “Para diminuir a saudade eu sempre ligo para meu pai. Ele ainda não conhece bem a internet, mas cadastrou um aplicativo de vídeo no celular e vamos começar a conversa por videochamadas. Isso ajuda bastante, além das ligações que são comuns todos os dias”, disse Melina ao antecipar que tem um encontro marcado com o pai neste domingo.
 
Ronaldo Soares da Luz também é pai de outros dois filhos, mas conta que sente falta de Melina. “A saudade é inevitável. A gente tenta distrair a mente, mas acaba sentido a falta. Eu amo meus filhos e Melina é uma vencedora, ela está lutando pelo sonho dela”, disse.
 
Da capital do estado do Pará, Belém na região Norte do país, distante 1.800 quilômetros da Paraíba surge uma outra história semelhante. A estudante Érica Lima, de 19 anos, também residente em Patos, chegou parar morar na cidade em 2015. Ela é a filha mais nova de um casamento de três filhos.
 
Ela é também é estudante da UFCG e não conhecia a Paraíba. “Infelizmente não tenho como visitar meu pai, são 36 horas de viagem de ônibus, mas vamos conversar pela internet como sempre fazemos para diminuir a saudade”, concluiu Érika.
 
Érika conclui o curso no ano de 2020 e Melina em 2019. As duas contaram a nossa reportagem que pretendem voltar para suas cidades de origem e seguir carreira profissional.
 
Amizade e superação
 
A semelhança na história das duas estudantes não se transformou apenas em um caso de coincidência. Elas se encontraram em Patos, e mesmo sendo de estados diferentes, se tornaram grandes amigas. Melina conta que a amizade com Érika ajuda bastante a superar a distância da família. “É uma amizade muito boa, gera o espírito de coragem, não sou a única a se arriscar por uma formação longe da família”, disse.
 
Já Érika lembra da dificuldade quando chegou para morar na cidade. “A vida longe de casa, o sonho de concluir os estudos superando a dor da saudade. Isso tudo foi muito difícil no início. Eu não conhecia ninguém aqui, hoje tenho amigos e Melina é uma pessoa muito especial. Mesmo estudando períodos diferentes nos encontramos na universidade e em casa para conversar e compartilhar de nossas experiências. O desejo final da gente é, com certeza, concluir a missão e voltar para nossas famílias”, conclui Érika.
 
São Paulo
 

De Campina Grande, a estudante de fisioterapia Thaís Sousa, de 27 anos, também vai usar a internet para conversar com o seu pai Pedro de Andrade, 50 anos, que está em São Paulo, onde mora sua família. A estudante mora na Paraíba desde 2013, também por causa dos estudos.
 
Thaís Sousa conta que as redes sociais são rotina entre pai e filha para estarem se atualizando das novidades e que, devido a dificuldade de estar presente neste domingo com ele, vai ser a única solução para matar um pouco a saudade. “O dia dos pais é o dia mais difícil, são cinco anos longe dele nesta data. A gente troca fotos, compartilha de vídeos pelas redes sociais e vamos fazer o mesmo neste domingo. Quero conversar com ele e dizer que meu amor por ele é maior que a distância”, conta.

Chile
 
A guia turística Vanessa de Lima, de 32 anos, mora em Santiago no Chile desde junho 2015, quando deixou a casa dos pais na capital paraibana, João Pessoa para trabalhar fora do país. Apesar da distância, ela conta que conversa com o pai João Batista, 69 anos, todos os dias por videochamadas e através de um aplicativo de mensagens. “É uma maneira de diminuir a distância”, disse.
 
“Eu converso com meu pai todos os dias, a tecnologia ajuda muito. A gente compartilha imagens, vídeos. Eu sei quando ele chega em casa, quando almoça e ele o mesmo sobre mim. Eu acompanho a rotina até quando ele vai ao estádio assistir os jogos com os amigos. Se não fosse a internet, a saudade seria bem maior. Esse é o terceiro dia dos pais longe de casa”, disse a guia turística.
 
A primeira experiência fora do país de Vanessa aconteceu em 2007, quando participou de um intercâmbio na Espanha. Ela relembra que na época a comunicação era muito difícil. “Quando viajei há dez anos sofri bastante, porque naquela época a tecnologia ainda era limitada. Eu lembro que falava com minha família apenas por telefone, para usar a internet dependia de lan houses. Hoje é diferente, não tenho como abraçar meu pai hoje, mas posso ver ele as vezes que desejar”, disse Vanessa. 
 
Londres
 
Já a estudante Mirna Pimentel, de 18 anos, está em Londres na Inglaterra para participar de um intercâmbio durante o período de dois meses. Ela viajou de João Pessoa no dia 27 de julho e pela primeira vez vai passar o dia dos pais longe de casa.
 
Para diminuir a saudade, ela conta que conversa todos os dias com a família e que fará uma videochamada para o pai Marcos Antônio, de 51 anos, em homenagem ao dia. “A família toda é bem unida. Se acontece uma novidade o contato é imediato. Esse é o primeiro dia dos pais que fico distante de meu pai, mas combinei como ele uma conversa por vídeo pela internet como homenagem. Ele sempre me envia fotos e aqui em Londres eu achei uns bonecos colecionáveis no mercado que ele adorou. Eu lembro dele sempre e toda vez que vejo os bonecos faço uma foto e envio pra ele”, disse a estudante.