Vida Urbana


Centro de João Pessoa já passou por mudanças surpreendentes

JORNAL DA PARAÍBA viajou no tempo para mostrar como eram alguns pontos importantes da cidade.




Passear pelas ruas de João Pessoa, que completa 432 anos de história neste sábado (5), é mergulhar em um romântico roteiro sentimental. A terceira capital mais antiga do Brasil sustenta uma arquitetura que ainda luta para se harmonizar entre passado e presente. Em homenagem ao seu aniversário, o JORNAL DA PARAÍBA tentou resgatar intervenções urbanas sofridas pelo Centro Histórico no último século. A comparação com registros fotográficos da época é capaz de surpreender não apenas turistas, mas também quem vive na cidade.

Ponto de Cem Réis

Principal ponto de passagem para quem frequenta o Centro de João Pessoa, a Praça Vidal de Negreiros, popularmente chamada de Ponto de Cem Réis, passou por uma série de mudanças desde que foi criada, no início do século passado (1924). De ponto final das principais linhas do bondinho elétrico, o local se transformou gradativamente em espaço de manifestações culturais, sociais e políticas. 

Quem vê seu descampado atual não imagina que no local já esteve instalada uma igreja, a dos Rosários Pretos, demolida para a sua construção, além de modernizar a cidade com a melhor fluidez entre as ruas Duque de Caxias, Visconde de Pelotas e Guedes Pereira. Nem que o já antigo (porque desativado) Palace Hotel, e que em breve vai abrigar o centro administrativo do Poder Legislativo, era apenas o Palacete do Barão de Maraú. 

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A Igreja do Rosário Negro foi demolida para dar espaço a Praça Vidal de Negreiros  (Acervo Museu Walfredo Rodrigues/Angélica Nunes)

Poderes

Outra praça que também pode surpreender pessoenses e turistas é a que leva o nome da cidade. Mais conhecida como Praça dos Três Poderes, o local já teve um coreto no lugar onde se ostenta o monumento ‘O Altar da Pátria’, conjunto escultórico tombado pelo Patrimônio Histórico, e era um pacato ponto de encontro dos frequentadores da Igreja Nossa Senhora da Conceição, que também sofreu demolição. O conjunto arquitetônico foi erguido pelos padres da Companhia de Jesus, a fim de abrigar o colégio, o seminário e a casa de residência da Ordem. No local da igreja, hoje está o mausoléu do ex-presidente João Pessoa. Já onde foi construída a Assembleia Legislativa, funcionou a sede do Jornal da União.

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A Praça João Pessoa já foi área pacata de passeio público (Acervo Museu Walfredo Rodrigues/Angélica Nunes)

Praça 1817

Por falar em demolição de igrejas, outra que foi ao chão pelo “bem da modernidade” foi a das Mercês. Geograficamente ela estava inserida no chamado Pátio das Mercês, um espaço de passeio público que existia antes da construção das duas vias de acesso às Avenidas Visconde de Pelotas e Padre Meira. A Igreja das Mercês ficava exatamente ao lado da saída do estacionamento do prédio da Assembleia Legislativa, fazendo fundo com a Praça dos Três Poderes. O entorno do Pátio das Mercês era constituído sobretudo de casas, a maioria também já demolidas. No local também circulava o bondinho elétrico.

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Igreja das Mercês foi demolida para melhorar acesso a outras avenidas (Acervo Museu Walfredo Rodrigues/Angélica Nunes)

Rebatizada em 1917, em referência à Revolução pernambucana de 1817, o espaço foi reforma no ano passado pela prefeitura de João Pessoa. Na lateral da Praça que fica na Rua Rodrigues de Aquino foi feita a redefinição do traçado para estacionamento de veículos, já na parte superior, da Rua Visconde de Pelotas, o ponto de táxi foi mantido. Além disso, foi feito empraçamento do nível inferior com bancos, jardim e iluminação especial em toda área da praça.

Duque de Caxias 

Sem vida noturna atualmente, a Avenida Duque de Caxias, na altura da Igreja da Misericórdia, antigamente chamada de Beco da Misericórdia, já foi o point da mocidade lá pelo início do século XX. Posteriormente, segundo relatos de Walfredo Rodriguez, em sua obra ‘Roteiro Sentimental da Cidade’, no local onde atualmente existe a agência HBSC funcinou o Café Chic, o Cinema Rio Branco e posteriormente o Cine Rex. 

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Avenida Duque de Caxias no ínicio do século XX e atualmente (Acervo Museu Walfredo Rodriguez/Angélica Nunes) 

Ao lado da Igreja da Misericódia, umas das mais antigas preservadas na cidade, havia um muro com portão de acesso ao "cemitério de escravos e homens improbos" mantido pela Santa Casa de Misericórdia da Paraíba até a metade do século XIX. Atualmente ali funcionam a loja O Boticário e parte da agência do Bradesco. outra peculariedade resgatada no registro de Walfredo Rodriguez é a  Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, à esquerda, ao fundo. Ela foi demolida na década de 1920 para a construção da Praça Vidal de Negreiros.

Praça Rio Branco
 
Já um local que se tornou um espaço de lazer na cidade, pelo menos aos sábados quando acontece o projeto Sabadinho Bom, ao inverso, era um local de pouca movimentação há um século. O prédio ao centro, hoje pintado de amarelo, foi construído na segunda metade do século XVIII para abrigar a Casa dos Contos ou Tesouraria da Fazenda Imperial. O prédio depois se tornou a sede do Governo da Província e Agência Central dos Correios a partir de 1869. Após as reformas que lhe acresceram mais um pavimento, o prédio passou a abrigar o Núcleo de Pesquisas em Arte Popular da UFPB.
 
Mas o que chama a atenção mesmo é a transformação do seu átrio, que a partir de 1924 ganhou ares de praça. Todo o conjunto da praça é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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Praça Rio Branco antes das mudanças e atualmente (Acervo Museu Walfredo Rodriguez/Angélica Nunes)