Vida Urbana


Empresas de ônibus defendem reajuste de tarifa para R$ 3,45 em João Pessoa

Dirigente do Sintur-JP afirma que aumento de impostos elevou em R$ 4 milhões as despesas das empresas.




Alberi Pontes
Alberi Pontes
Último reajuste entrou em vigor no final do mês de janeiro

O aumento dos impostos dos combustíveis, anunciado na semana passada pelo governo federal, pode resultar em um novo reajuste das passagens de ônibus em João Pessoa. A sinalização foi dada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivos Urbanos da capital (Sintur-JP), em nota divulgada nesta quinta-feira (27). De acordo com a entidade, a alta dos tributos vai gerar uma despesa extra de cerca de R$ 4 milhões com combustível por ano. Segundo os representantes do setor, a tarifa ideal seria de R$ 3,45, atualmente o preço cobrado é de R$ 3,20.

Os números do Sintur-JP apontam que os ônibus de João Pessoa consomem cerca de 1,6 milhões de litros de combustível por mês. Levando em conta o aumento de R$ 0,21 em cada litro de diesel, haverá um acréscimo de R$ 366 mil. O sindicato alega ainda que a nedida do governo de Michel Temer deixa o setor de transporte público em uma situação ainda mais delicada. Pois também em julho houve a implantação de um reajuste de 6% para os funcionários do setor.

“Assumimos um ônus de mais de R$ 500 mil mensais com o reajuste salarial, mesmo sem termos tido o aumento de tarifa que precisávamos para cobrir todos os custos. Hoje, a tarefa mínima para nossa operacionalização deveria ser R$ 3,45”, afirmou o diretor de Relações Institucionais do Sintur/JP, Isaac Júnior Moreira. “Estamos fazendo uma discussão interna, avaliando a possibilidade de procurar o prefeito para buscar uma solução”, completou em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA.

O último reajuste das passagens de ônibus de João Pessoa entrou em vigor no dia 22 de janeiro de 2017. Na ocasião, o prefeito Luciano Cartaxo optou por homologar o valor de R$ 3,20, um valor R$ 0,10 mais barato do que havia sido aprovado pelo Conselho Municipal de Mobilidade Urbana. “Tecnicamente, essa decisão prejudicou o sistema, os custos não são cobertos. Foi uma medida política”, pontuou o dirigente do Sintur.

Os empresários também usam como argumento para mostrar a “situação delicada” do setor um estudo feito pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), realizado entre 23 de março e 12 de maio deste ano, que mostra que 29,1% da empresas de ônibus do Brasil convivem com endividamento superior a 40% do faturamento anual e que 45,3% delas ingressaram em algum programa de recuperação fiscal. Conforme a pesquisa, esse cenário teve início com as manifestações populares de 2013, que começaram com o reajuste das passagens do transporte público. Para a NTU, a partir daí as prefeituras passaram a ser mais cautelosas na autorização dos reajustes das tarifas.

O Sintur diz ainda que o crescimento do transporte clandestino de passageiros também vem gerando prejuízos ao setor. A entidade afirma que existem pelo menos 100 automóveis atuando nessa área. A entidade, inclusive, fez contas sobre isso, mostrando que esses carros podem transportar 28.800 passageiros e arrecadar mais de R$ 400 mil por mês. “Além de ser uma concorrência muito desleal, quando avaliamos os valores arrecadados, há também a questão da segurança do passageiro, que está à mercê de diversos perigos”, aponta Isaac Júnior Moreira.

O diretor do Sintur disse que a entidade também estuda a implantação de uma medida que é cobrada há um certo tempo por setores da sociedade em João Pessoa: a divulgação das planilhas de despesas e lucros das empresas. “É importante ter essa discussão, a população precisa entender melhor os cutsos do transporte público . Isso nunca foi feito aqui”..