Vida Urbana

Deficientes enfrentam dificuldades nos ônibus de Campina Grande

Apesar da acessibilidade ser garantida por lei, usuários de transporte público relatam diversos problemas.




Kleide Teixeira
Kleide Teixeira
Elevadores sem funcionar, piso alto e falta de cintos de segurança são os principais problemas relatados pelos usuários com deficiência física

Passados 13 anos da lei que determinou a adpatção da frota urbana e rodoviária de transporte coletivo para as pessoas com deficiência física, a luta por acessibilidade e mobilidade continua em Campina Grande. Para quem precisa utilizar o serviço na cidade, lidar com os elevadores dos ônibus sem funcionar ou com cintos de segurança que não seguram as cadeiras faz parte do cotidiano. Isso é o que relata a estudante Renally Vidal, de 21 anos.

Renally é cadeirante e, segundo ela, além dos problemas encontrados nos ônibus, é preciso muitas vezes contar com a ajuda de outros passageiros, uma vez que grande parte dos funcionários não ajudam na subida e na descida dos veículos. “Já caí do ônibus e bati com a cabeça no meio fio", afirmou a jovem, acrescentando que a maioria dos coletivos com elevador não funciona e muitas vezes os motoristas não param nos pontos.

“Os ônibus não possuem a acessibilidade desejada, além disso, os cintos não seguram a cadeira, ou seja, ela vai solta. As autoridades deveriam ser mais rigorosas na cobrança do cumprimento da lei", observou.

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência  garante a acessibilidade como um direito proposto e legalmente reconhecido para a classe. Visando ao atendimento das normas, foi concedido um período de 10 anos de adaptação para as empresas de transporte coletivo, porém, apesar disso, nem todas cumpriram o prazo determinado.

A lei considera acessível o ônibus que tenha piso baixo e rampa de acesso ou elevador, mas, segundo o usuário Milton Lemos da Silva, de 71 anos, deficiente de uma perna e morador do bairro da Palmeira, os ônibus costumam ser muito altos, o que dificulta a subida dos passageiros que não possuem habilidade motora.

Já para a dona de casa Verônica de Lucena, mãe da cadeirante Regina Lucena, de 17 anos, o uso do transporte público deixou de ser uma opção viável por causa dos transtornos. Ela afirma que felizmente, para os afazeres diários, a jovem conta com o auxílio do pai, que possui veículo próprio e pode levá-la aos locais que ela precisa. 

O que diz a STTP

De acordo com Hélder Carlos, agente de trânsito da Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STTP), 127 ônibus de uma frota com 195 veículos, são adaptados para atender a população com deficiência.

Segundo o agente, um dos consórcios que oferece o serviço de transporte coletivo em Campina Grande possui 100% dos veículos adaptados. Já o outro, embora seja maior e mais antigo, não tem a totalidade de sua frota adaptada.

"É de interia responsabilidade do consórcio [a disponibilidade dos ônibus adaptados nas linhas] e é variável, porque se um automóvel de uma linha quebra, tem que ser substituído e como não são 100% adaptados, não é possível um controle exato dos horários. Isso só será possível com ao menos 90% da frota adaptada", explicou Hélder Carlos. 

A fiscalização dos automóveis é realizada mensalmente pela equipe de vistoria. Conforme Hélder, caso haja algum problema no elevador e o conserto seja possível, é retirado o selo de adaptado do veículo e solicitada a sua substituição. Por fim, em relação aos motoristas, Hélder enfatiza que "todos são treinados, inclusive, pela empresa é obrigação contratual".