Vida Urbana

Professor denunciado por homofobia diz que não tem preconceito

Alírio Batista publicou nota em uma rede social na noite da quinta (29).




O professor universitário de Medicina Legal denunciado por alunos de uma faculdade particular de João Pessoa por comentários tidos como homofóbicos e misóginos publicou em uma rede social uma nota sobre o caso na noite da quinta-feira (29). O caso veio à tona a após a publicação do aluno Diógenes Dantas viralizar nas redes sociais na quinta-feira (29). Alírio Batista, de 81 anos, disse que seu discurso "jamais foi proposital ou decorrente de qualquer forma de preconceito" e pediu desculpa a todos que se sentiram ofendidos. O professor informou ainda que deve se aposentar das atividades docentes.

Na publicação, Alírio diz que lamenta que em uma das últimas turmas de sua trajetória acadêmica "uma mera classificação doutrinária, trazida no contexto histórico e ilustrativo de um tema ministrado em Medicina Legal, tenha alcançado tamanha repercussão em mídias sociais"; acrescentando que sempre acreditou "que a academia fosse o palco adequado para a encenação de teorias e, até mesmo, a prática de teses sobre o que se pensa a respeito de tudo".

Mais especificamente sobre o caso, ele publicou que o aluno deixou claro em seu texto que ele jamais teria manifestado qualquer opinião de cunho pessoal sobre o tema. 

Outro ponto destacado pelo professor é que o texto de Diógenes teria sido sustentado com base em relatos que teria ouvido de outros alunos, e não de sua vivência ou percepção. "Não acredito que esses comentários tenham sido feitos com maldade", afirmou Batista.

Por fim, o professor Alírio Batista pede desculpas a quem tenha se ofendido durante suas aulas. "Registro minhas sinceras desculpas aos que assistiram minhas aulas e que, de qualquer forma, tenham-se ofendido em algum instante das minhas incontáveis horas de atividades acadêmicas. Digo de todo coração: jamais foi proposital ou decorrente de qualquer forma de preconceito", finalizou.

Confira na íntegra a publicação do professor Alírio Batista sobre o caso:

Caso gerou debate nas redes sociais

Na publicação feita nas redes sociais, o estudante de Direito Diógenes Dantas criticou o professor Alírio Batista por ele tratar, durante as aulas, homossexualidade como doença e tachá-la de "perversão sexual". O relato foi publicado na quarta-feira (28), o Dia do Orgulho LGBT, e viralizou  nas redes sociais nesta quinta (29).

Conforme o aluno, há "mais de 10 denúncias de assédio e homofobia" contra o professor na ouvidoria da faculdade. Em entrevista, Diógenes Dantas afirmou que o docente não sofreu nenhum tipo de punição por parte da instituição de ensino, apesar das constantes denúncias, e até zombava da situação. "A apresentação do professor no primeiro dia de aula foi nos seguintes termos: 'meu nome é Alírio Batista, e vocês precisam decorar o meu nome quando forem me denunciar'", relatou o aluno.

No material [foto] que o professor disponibiliza aos estudantes de Medicina Legal e publicado na página do docente, a homossexualidade é tratada como "desvio de conduta", "aberração" e "pederastia". Em determinado momento, o professor escreve que "os homossexuais por amor são violentos e agridem" e que transexuais são "revoltados com o próprio sexo".
 
Em nota, a assessoria do Unipê informou que tomou conhecimento do caso no dia 26 de abril e que "imediatamente iniciou uma análise interna, seguindo todos os trâmites necessários para questões dessa natureza, inclusive com respeito à ampla defesa por parte do docente, reiterando os valores de justiça e igualdade de oportunidades de nossa Instituição, na medida em que se trata de um professor decano, com 52 anos de cátedra e 80 anos de idade". A instituição afirma, por fim, que o professor Alírio Batista não faz mais parte do quadro de docentes ativos da Unipê.