Vida Urbana

Mulher atacada com estilete expõe falhas de segurança no Parque do Povo

Professora foi atacada em 2016 na mesma região onde vendedor foi morto no último domingo (18).




Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
"Sentimento de insegurança é o mesmo", diz professora ao voltar ao Parque do Povo

"É pouco policiamento para muita gente". A frase é da professora Chrys Sobral, de 32 anos, e trata sobre a segurança do Parque do Povo durante os festejos juninos. Ela foi vítima de um ataque com estilete durante uma tentativa de assalto dentro de um dos banheiros durante o São João de Campina Grande em 2016, onde teve um tendão rompido e dedos cortados. A região dos banheiros foi também onde aconteceu a morte de um homem de 30 anos após uma tentativa de assalto no domingo (18), durante o show de Wesley Safadão. A Aliança Comunicação e Cultura, empresa responsável pela organização do evento este ano, diz que vai aumentar efetivos da segurança no local. Já a Polícia Militar ainda não respondeu os questionamentos feitos pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA até a publicação desta matéria.

Chrys conta que foi ao banheiro e quando estava saindo do box, uma mulher percebendo que ela estava sozinha empurrou a porta para dentro. "Achei que tava acontecendo algo lá fora. Mas ela foi logo perguntando o que eu tinha na bolsa, e falei que não tinha nada. Ela então mostrou o estilete, e perguntou de novo. Disse que não levava nada comigo. Com isso ela já veio para cima de mim, tentei segurar a mão dela, mas não consegui. Ela me cortou", relatou Chrys. No ataque a professora teve o tendão do polegar esquerdo rompido e três dedos da mão direita cortados. Ela foi socorrida para o Hospital de Trauma de Campina Grande, onde passou por cirurgia.

Ainda segundo Chrys, o policiamento apareceu rapidamente, porém apenas após o incidente. "Não tem policiamento dentro do banheiro, mas a questão é que ela entrou [no Parque do Povo] com o estilete. O problema é ela ter entrado com uma arma [na festa]", destacou. A mulher que atacou a professora foi presa em flagrante, e tipificada no crime de assalto. 

Conforme informações da professora, a mulher que a atacou ficou presa de junho a outubro de 2016. A denúncia foi de assalto e ela foi solta após esse período. "Era para ser tentativa de homicídio", desabafou. Chrys ficou cerca de 15 dias afastada das atividades diárias - ficando impossibilitada até de se alimentar com as próprias mãos - além de dois meses sem trabalhar. Para recuperar os movimentos, principalmente do dedo da mão esquerda, ela precisou fazer fisioterapia.

Após o ataque, Chrys já voltou ao Parque do Povo, mas garante não se sentir livre para aproveitar o entretenimento. "Fico muito nervosa. Não aproveito totalmente. Fico achando que vou ver ela [mulher que a atacou], que ela vá me 'marcar', vai fazer algo comigo de novo", revelou. Em shows que podem dar maior público, onde podem acontecer maiores incidentes, ela disse que evita ir. "Sentimento de insegurança é o mesmo", resumiu.

O que dizem PM e Aliança

Após a morte do vendedor, a empresa Aliança Comunicação e Cultura, responsável por organizar o evento este ano, informou em nota divulgada no dia 19 de junho que houve um "reforço [na segurança] com a contratação de 160 homens de segurança privada".

Na mesma nota, cita leis e diz que "o trabalho de vigilância ostensiva é obrigação do Governo do Estado, por meio da Polícia Militar, inclusive no que tange à revista". Além de ressaltar que vai se manter à disposição para aprimorar ainda mais a contribuição para a segurança pública. Contactada na manhã desta quarta-feira (21), a assessoria de imprensa da Aliança informou que não há mais nada a acrescentar sobre o assunto e que "tudo foi esclarecido em nota".

A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar, que recebeu os questionamentos e repassou para o comandante responsável pela segurança no Parque do Povo. Até às 12h50 não havia resposta da PM.