Vida Urbana


Quatro dias após 'massacre', Lar do Garoto registra nova fuga de internos

Quatro jovens fugiram da unidade. De acordo com o diretor interino, um interno já foi recapturado.




Jackson Rondineli/TV Paraíba
Jackson Rondineli/TV Paraíba
Pelo menos cinco reeducandos fugiram e um já foi recapturado.

Quatro reeducandos fugiram do Lar do Garoto, unidade socieoeducativa de adolescentes e jovens em Lagoa Seca, no Agreste da Paraíba, na manhã desta quarta-feira (7). Segundo a direção da unidade, um dos fugitivos já foi recapturado.A fuga acontece quatro dias depois a rebelião que terminou com sete mortes e seis fugas.

O diretor interino da unidade socioeducativa, Francisco Souza, disse que os internos teriam conseguido fugir serrando os cadeados dos quartos da unidade. Ele disse ainda que estava se dirigindo para o Lar do Garoto para ter maiores informações.

No último sábado (3), uma rebelião no Lar do Garoto, provocou sete mortes de jovens que cumprem medidas socioeducativas e seis fugas, sendo que um foragido já foi recapturado. Os corpos, em sua maioria, foram carbonizados e esquartejados. O fato aconteceu durante a madrugada.

Três dos quatro suspeitos de coordenarem e executarem a rebelião e mortes foram autuados em flagrante e transferidos para o presídio do Serrotão, por terem mais de 18 anos. O outro conseguiu fugir do Lar do Garoto.

De acordo com o presidente da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac), Noaldo Meireles, agentes da unidade e servidores da entidade levantaram informações de que o motim começou a partir de uma tentativa de fuga. Durante a rebelião, parte dos que iniciaram o motim se aproveitaram para atacar e matar outros internos. “As mortes foram motivadas por desavenças entre alguns internos, principalmente por rixas na convivência na unidade, mas em alguns casos em particular, por questões pessoais que ocorreram fora do Lar do Garoto, antes de serem internados”, comentou.

A rebelião do final de semana resultou na destruição dos ferrolhos, das grades, da alvenaria dos quartos, além de afetar o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica. Os trabalhos de reparos no Lar do Garoto foram iniciados ainda no sábado, logo após o tumulto ser contido. A previsão da Fundac era de que as reformas fossem finalizadas na terça-feira (6). Ainda não há informação se essa possível vulnerabilidade do prédio tem contribuido para a fuga desta quarta-feira.

Os autores do massacre

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos das mortes estavam no Lar do Garoto por crimes que tinham cometido quando ainda eram menores. Conforme o delegado Antônio Lopes, depoimentos ajudaram identificar a autoria das mortes."Vamos fazer outros levantamentos, não descartamos a participação de outras pessoas, mas as testemunhas que nós ouvimos relataram a participação destes quatro", afirmou, acrescentando que os suspeitos negaram o crime. "As testemunhas foram bastante seguras e deram detalhes de como tudo aconteceu", frisou, detalhando que algumas foram agredidas e feitas de reféns.

A polícia ressaltou que a fuga em massa ocorreu por volta das 2h30 e que, após a ocorrência, grupos rivais começaram a brigar dentro da unidade. Os internos atearam fogo em colchões e móveis. Na rebelião, cinco jovens foram mortos carbonizados e outros dois foram mortos no pátio da instituição, após serem agredidos dentro das celas.

Segundo a delegada Ellen Maria, também responsável pelas investigações, um dos grupo priorizou matar os rivais antes de fugir. "Só que não deu tempo porque a polícia chegou no local e evitou uma fuga maior", comentou.

Superlotação e novo Lar do Garoto

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), se comprometeu em enviar um projeto de lei, ainda esta semana, à Câmara Municipal doando uma área no bairro Velame ao governo do estado para a construção de uma nova unidade socioeducativa para o regime semiaberto, a fim de reduzir a superlotação no Lar do Garoto. A unidade de Lagoa Seca foi construído para abrigar 40 internos.Atualmente, há mais de 200 jovens na unidade.

Em novembro de 2014, a prefeitura doou um terreno à Fundac. À época, na assinatura do termo de compromisso, ficou concedido um terreno de 4 a 6 hectares em área da zona urbana, no bairro do Ligeiro. A Fundac chegou a anunciar a construção da unidade socioeducativa dentro das especificações do Sistema Nacional de Socioeducação (Sinase), com verbas oriundas da Secretaria dos Direitos Humanos, com contrapartida do Governo da Paraíba.

O presidente da Fundac, Noaldo Meireles, disse que há um problema na escritura do terreno, referente às dimensões deste, que prejudicou a liberação da área e consequentemente o início da construção da nova unidade socioeducativa.

“O nosso planejamento era para construir nessa área uma unidade para semiliberdade, para que os internos que estão nessa condição saíssem do Lar do Garoto, em Lagoa Seca. Infelizmente, as dimensões da escritura que nós temos do terreno não batem com o registro no cartório. Estive em Campina Grande e conversei com a gestão para conseguirmos a liberação, mas infelizmente, o processo está parado desde o ano passado”, comentou.

(Atualizada às 8h20)