Vida Urbana


Irmã de agente de trânsito Diogo Nascimento é presa na Operação Gabarito

Dayane Nascimento é companheira de um dos líderes do grupo e concurso em que foi aprovada é investigado.




Reprodução/TV Cabo Branco
Reprodução/TV Cabo Branco
Dayane é aprovada em um concurso de Bayeux, que está sob suspeita de fraudes

Dayane Nascimento de Sousa, irmã do agente de trânsito Diogo Nascimento, morto durante uma blitz da Lei Seca, foi presa na manhã desta sexta-feira (12) suspeita de integrar o grupo que fraudava concursos públicos no Nordeste e está sendo investigado na Operação Gabarito. Dayane é companheira de Vicente Fabrício Nascimento de Borges, apontado pela Polícia Civil como um dos líderes do grupo criminoso. Ela foi presa junto com o servidor do Detran-PB, Diones Leite, e mais quatro pessoas.

Segundo o advogado de Dayane, Eduardo Luna, a prisão é temporária e a defesa busca informações sobre o que motivou a prisão para poder entrar com um pedido de revogação. Dayane foi aprovada em um concurso da Prefeitura de Bayeux e atua na Guarda Municipal da cidade. O concurso de Bayeux, inclusive, está sob suspeita de fraudes. O concurso no qual o agente de trânsito foi aprovado, em 2012, está sendo investigado.

Com as seis prisões desta sexta, já são 25 pessoas presas suspeitas de fazerem parte do esquema fraudulento. A polícia ainda busca cerca de 15 pessoas. O grupo é suspeito de encabeçar esquema de fraudes em concursos públicos nos últimos 12 anos, segundo a Polícia Civil, mais de 70 concursos no Nordeste estão sob suspeita. Entre os concursos possivelmente fraudados, estão o de Bayeux em 2012 e Santa Rita em 2013, ambos com aprovações de Dayane, e o do Detran-PB em 2013, que tem Diogo Nascimento como aprovado.

Segunda fase da operação

Seis pessoas foram presas na segunda etapa da 'Operação Gabarito', que investiga fraudes em concursos públicos no Nordeste, na manhã desta sexta-feira (12), em João Pessoa. Segundo o superintendente da Polícia Civil, Marcos Paulo Vilela, detalhes da operação vão ser divulgados na próxima segunda-feira (15). O grupo chegava a cobrar até R$ 150 mil reais por aprovação em concursos.

"Só confirmamos as seis prisões. Mais informações apenas na segunda. Não estamos confirmando dados, nomes e outros documentos [dos presos e investigados]", afirmou Marcos Paulo.

Questionado sobre novas diligências da operação, o superintendente da Polícia Civil preferiu não comentar sobre o assunto. 

Um dos presos é o servidor do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), Diones Leite. Segundo o advogado dele, Iarley Maia, o suspeito nega participação no esquema. "A única coisa que existe é que ele conhece uma das pessoas envolvidas, mas isso não quer dizer que ele fez nada ilegal", disse o advogado. A defesa do suspeito vai pedir a revogação da prisão temporária.

A prisão foi confirmada pelo órgão, que ainda informou que vai apurar a informação para que as medidas cabíveis possam ser tomadas. Sobre a exoneração do servidor, caso constatado a fraude na aprovação no concurso de 2013, a assessoria indicou o contato com José Serpa, assessor jurídico do Detran-PB. "O Detran vai esperar a finalização do inquérito policial e, caso comprovado [a fraude na aprovação] vão ser tomadas as medidas cabíveis para afastá-lo do quadro de funcionários", contou Serpa.

Operação Gabarito

Dezenove pessoas foram presas no fim de semana por suspeita de fraudes em concursos públicos na Paraíba e em outros estados do Nordeste, de acordo com a Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa. Segundo as investigações, mais de 400 pessoas foram beneficiadas pelo esquema através do pagamento de R$ 12 milhões à quadrilha durante os últimos dez anos.

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De acordo com o delegado titular de Defraudações na capital, Lucas Sá, entre os concursos que podem ter sido fraudados estão três de guardas municipais, pelo menos seis de prefeituras no litoral e interior, um de Câmara Municipal, além do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. Mas, segundo a polícia, a lista ainda inclui outros concursos municipais, estaduais e federais.

As investigações começaram há cerca de três meses e culminaram na Operação Gabarito, realizada neste fim de semana.