Vida Urbana


Começa greve por tempo indeterminado dos professores da UEPB

Categoria reivindica 23,6% de reposição salarial. Cerca de 18 mil alunos ficam sem aulas.




Leonardo Silva
Leonardo Silva
Com a paralisação, alunos ficam sem aulas em oito campi

A partir desta quarta-feira (12), os professores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) entram em greve por tempo indeterminado. Com a paralisação, cerca de 18 mil alunos vão ficar sem aulas. A categoria reivindica a reposição de 23,61% de perdas salariais, o descongelamento das progressões de carreira dos docentes e o cumprimento da lei da autonomia da UEPB, entre outras demandas.

Em nota, a ADUEPB, presidida pelo professor Nelson Júnior, ressalta que a iniciativa é o limite de um processo para conseguir que o governo do Estado receba os representantes do sindicato da categoria e dialogue sobre a crise orçamentária que atinge a instituição.

O documento assinala que o processo começou ainda no início de 2016, quando pouco tempo depois de tomar posse no sindicato, a atual gestão da entidade passou a enviar ao Governo do Estado pedidos de audiências para discutir sobre o cumprimento do acordo da greve de 2015 e de reposição salarial.

Acrescenta que “as tentativas continuaram depois do Governo baixar uma Medida Provisória (242/2016) congelando salários e progressões de carreira para os servidores do executivo, ao mesmo tempo em que os funcionários dos demais poderes receberam reajuste e não sofreram nenhuma perda de direitos”.


Governo sem diálogo

Insistindo na busca do diálogo e da negociação, a direção do sindicato continuou tentando ser recebida pelos representantes do Governo, seis meses depois que a Lei (10.660/2016) que congelou salários e progressões foi aprovada pela Assembleia Legislativa, a qual previa a instalação de uma comissão para avaliar a possibilidade de reajuste. Novamente, recebeu o silêncio como resposta, diz a nota.

Quando a crise orçamentária da UEPB se aprofundou, a ADUEPB continuou tentando conversar com o Governo do Estado, mas este insistiu no silêncio como resposta. “Mais recentemente, o próprio governador Ricardo Coutinho, recebeu das mãos de uma diretora do Sindicato um pedido de audiência e insistiu na resposta que os problemas devem ser resolvidos dentro da universidade.

Diante da insistência do pedido da audiência, informou que responderia, mas até agora não recebeu-se nenhuma manifestação do governo”, assinala a nota.

Omissão da reitoria

De acordo com o sindicato, se por um lado o governo do Estado tenta se omitir das suas responsabilidades com a crise orçamentária que atinge a UEPB, por outro, atua para aprofundá-la quando, aumentou os contingenciamentos de verbas da universidade, além dos R$ 27 milhões que já tinha cortado do orçamento da instituição para 2017 aprovado pela Assembleia Legislativa.

“Em paralelo, a Reitoria se omite do seu papel de defesa da Universidade e da sua autonomia financeira e administrativa e dando sequência as ações negativas para a UEPB divulgou redução do quadro docente, encolhimento de 2.700 vagas para os alunos oriundos do ENEM e ainda publicou uma portaria que penalizaria duramente as atividades de ensino, pesquisa e extensão”, destaca o documento.

Entretanto, após quase 60 dias de luta, a Reitoria manteve a chamada para a primeira entrada dos alunos e suspendeu a portaria , porém sem apontar de onde surgirão os recursos para garantir as atividades básicas para o funcionamento da instituição, que afirmava tentar garantir com a redução de vagas e com a tal portaria, afirma a nota.

“Inconformados com o aprofundamento da falta de condições para oferecer uma formação de qualidade para seus alunos, garantir a pesquisa de conhecimentos que beneficiam a sociedade e assegurar o funcionamento dos serviços oferecidos a comunidade nos oito campi onde a UEPB está instalada, os professores não encontraram outra saída a não ser decretar uma greve por tempo indeterminado”, destaca o documento.


Reivindicações dos professores

1- Defesa da autonomia da UEPB;

 

2- Respeito ao orçamento da UEPB, aprovado pela ALPB, de R$317 milhões ;

 

3- Contra a redução do quadro de professores da UEPB;

 

4- Contra a redução de vagas para alunos vindos do ENEM/ SISU;

 

5- Reposição Salarial de 23,61%;

 

6- Liberação das progressões funcionais;

 

7- Realização de Concursos públicos para professores;

 

8- Mais investimento na infraesturura dos Campi;

 

9- Maior investimento em Assistência Estudantil;

 

10 - Cumprimento dos termos do acordo que pôs fim a greve de 2015.