Vida Urbana


Acusada de matar quatro por envenenamento tinha laços de amizade com vítimas

Vânia Maria teve contatos com as pessoas, mas nega autoria dos crimes. 




Josusmar Barbosa
Josusmar Barbosa
Raquel Azevedo, chefe do Núcleo do Laboratório Forense, e delegado Felipe Castelar detalham crime em entrevista rate

A agricultora Vânia Maria da Silva, 44, tinha laços de amizade com a mulher e três crianças mortas por envenenamento, teve contato com elas e estava nas “cenas dos crimes”, no Sítio Cariatá, no município de Itabaiana, no Agreste da Paraíba. A revelação foi feita pelo delegado Felipe Luna Castelar, durante entrevista nesta terça-feira (11), à tarde, na Central de Polícia, em Campina Grande. Ela foi presa por determinação da juíza Anderley Ferreira Marques, da 1ª Vara de Itabaiana, e foi transferida para o Presídio Feminino, em João Pessoa.

“Pessoas ouvidas pela Polícia Civil relataram que a senhora Vânia Maria da Silva esteve nos locais onde as pessoas ingeriram os alimentos envenenados. Em alguns casos, ofereceu o alimento”, explicou o delegado, que estava acompanhado de Raquel Azevedo, chefe do Núcleo de Laboratório Forense.  

De acordo com Felipe Castelar, com as vítimas foi utilizado o mesmo modus operandi e todas tiveram contato com a suspeita antes de morrerem, apresentando sintomas como: cegueira, náuseas, vômitos e dificuldade de respiração e equilíbrio, entre outros. Os laudos do Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmaram a presença de veneno para ratos, conhecido como chumbinho, nos corpos das vítimas.

Madrinha

Segundo o delegado, Vânia Maria era madrinha de Letícia Firmino de Sousa, 12 anos. Felipe Castelar disse que Letícia passou mal no dia 6 de março de 2017, após comer um biscoito dado pela agricultora. Ela morreu no dia 10, no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. “Vânia deu o biscoito envenenado a irmã de Letícia que achou o sabor ruim e entregou o alimento a Letícia, que depois veio a falecer”, detalhou o policial.

Aniversário

Samuel Alexandre da Silva, 6 anos, faleceu no dia 25 de fevereiro de deste ano no Hospital Público de Itabaiana. De acordo com a Polícia Civil, Vânia Maria doou alimento envenenado a Samuel, no dia do aniversário dele. Outra vítima foi Ana Gabriele Evangelista da Silva, 9 anos, que morreu no dia 19 de fevereiro também no hospital de Itabaiana. A agricultora era amiga das famílias das crianças mortas.  

Morava em casa

Após investigar os três casos das crianças, a Polícia Civil passou a apurar a morte de Ana Maria Dias, 20 anos, falecida em 10 de dezembro de 2016, em Itabaiana. A vítima morava na residência da agricultora Vânia Maria.

Negativa de autoria

Vânia Maria não quis prestar depoimento no inquérito policial. Na Central de Polícia, durante a entrevista coletiva, ela passou todo o tempo de costa e com as mãos no rosto sem apresentar nenhuma reação. O seu advogado Rômulo Bezerra nega a autoria do crime.

“Dona Vânia nega veementemente que tenha cometido tal crime, inclusive é preciso que a sociedade e imprensa não antecipem o julgamento das coisas. Você só é condenado após uma condenação transitada em julgado. Dona Vânia terá direito a ampla defesa e ao contraditório, onde será arguida a sua tese de negativa de autoria. Há evidências, mas não há provas concretas para incriminá-la”, afirmou o advogado.

Rômulo disse que Vânia Maria não tinha problemas psicológicos, mas o delegado Felipe Castelar disse que pediu um exame de sanidade mental dela.