Vida Urbana

Paraibano pedala 40 km todos os dias para levar filha para a escola

Bicicleta utilizada foi adaptada para tentar dar mais segurança à criança.



Reprodução/EPTV
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Rotina do paraibano começa por volta das 5h20 e dura uma hora e meia

O paraibano Juracir Ferreira Faustino de Souza não mede esforços para garantir a educação da filha de 3 anos de idade. Atualmente morando em uma fazenda em São Carlos, no interior de São Paulo, ele adaptou uma bicicleta e pedala 40 km todos os dias para levar a filha para uma escola na zona urbana da cidade. Apesar do transporte escolar passar perto da casa da família, a menina não pode usá-lo desacompanhada.

Juracir Souza está desempregado, saiu da Paraíba há três meses e agora mora com a família em uma fazenda as margens de uma rodovia estadual. A filha, Maria da Vitória dos Santos Rocha, está matriculada no Centro Municipal de Educação Infantil Otávio de Moura, no bairro Jardim Cruzeiro do Sul, em São Carlos.

Segundo o pai, um ônibus que leva as crianças da zona rural para a escola passa próximo a residência dele. “Não sei o motivo já que o ônibus passa na porta, pega meu sobrinho, mas não pega ela. Eles alegam que não podem levá-la porque ela ainda não tem quatro anos, a diferença é de cinco meses apenas”, disse.

A rotina do pai começa por volta das 5h20 e dura uma hora e meia, passa por estrada de terra, rodovia e trânsito urbano. Depois de deixar a filha na escola, o pai retorna para casa e faz novamente o trajeto no final da aula, para buscar a menina. “Quero dar a ela o que eu não tive, porque eu não tive essa oportunidade”, declarou Souza.

Para levar a filha para a escola, Juracir fez algumas adaptações na bicleta. Ele instalou uma cadeirinha para a criança e fez uma coberta na bicleta usando madeira de reciclagem e uma cortina de banheiro.

O secretário de Educação de São Carlos, Nino Mengatti, informou que não pode permitir que crianças com menos de 6 anos viagem desacompanhadas por questão de segurança, e que Maria da Vitória teria que ser acompanhada por um responsável. A alternativa oferecida pela prefeitura é inviável para Juracir Souza. "Teria que fazer um sacrifício, que é o de fica o dia todinho com fome na porta do colégio, aí quando ela saísse vir embora junto", conclui.