Vida Urbana

Mulheres trabalham sete horas a mais que homens, mas ganham menos

Remuneração das mulheres equivale a apenas 76% da renda masculina, de acordo com pesquisa do IBGE.




As mulheres trabalham cerca de sete horas a mais do que os homens por semana, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2016 divulgada nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar disso, em 2015, a renda das mulheres equivale a apenas 76% da renda masculina.

O cálculo de horas semanais trabalhadas considera a soma das horas gastas no trabalho principal com as horas gastas em afazeres domésticos. Conforme a pesquisa, em 2015, os homens passavam cerca de 39 horas por semana no emprego e realizavam apenas 12 horas de atividades domésticas no mesmo período. Já as mulheres gastavam, em média, 30 horas no trabalho e 27,3 horas com afazeres domésticos, numa dupla jornada que excede em sete horas o tempo total de trabalho masculino.

De acordo com a pesquisadora do IBGE Cristiane Soares, os homens continuam se esquivando de tarefas da casa, o que se reflete em uma jornada dupla mais pesada para o sexo feminino. "Na década, a jornada masculina com os afazeres domésticos permanece em 10 horas semanais", destacou.

A remuneração dos homens, entretanto, continua sendo superior à das mulheres: mesmo trabalhando mais horas, as mulheres têm uma renda equivalente a 76% da remuneração masculina. Esse número era de 71% em 2005, e, segundo o IBGE, reflete o fato de mulheres ganharem menos no emprego e também por não serem escolhidas para cargos de chefia e direção.

Chefia

Conforme a pesquisa, em 2015 6,2% dos homens ocupados de 25 anos ou mais estavam em cargos de gerência ou direção; entre as mulheres, essa proporção era de 4,7%. A desigualdade salarial relacionada aos cargos de chefia também é elevada, visto que as mulheres nesta posição recebiam, em média, apenas 68,0% do rendimento médio dos homens.