Vida Urbana

Água de má qualidade também contamina no banho, diz bióloga

Preocupação surgiu após instituições alegarem alto índices de toxinas na água do açude de Boqueirão.



Tomar banho, escovar os dentes ou simplesmente lavar as mãos com água de má qualidade também são fatores de risco para contaminação das pessoas. As afirmações são da bióloga Rossandra Oliveira, que alerta para os perigos de manter a pele em contato com bactérias encontradas na água. As preocupações para as formas de contaminação, além da ingestão oral, surgiram após pesquisadores constatarem um alto nível de cianobactérias nas águas do Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. Reservatório abastece Campina Grande e mais 18 cidades e está com apenas 5,4% do volume total. Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) garante potabilidade da água.

A bióloga explica que o consumo através da via oral não é a única forma de contaminação por bactérias encontradas em águas contaminadas. "Os nossos poros e a nossa região mucosa também absorvem água. A ingestão de água é uma forma potencial de contaminação, mas quando você escova dentes e toma banho os seus poros estão recebendo água. É uma forma menos potencializada de contaminação, mas não podemos descartá-la. A pessoa pode ir tomar um banho em um açude e também ser contaminada", explica Rossandra Oliveira.

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Rossandra lembra que as principais doenças causadas por água contaminada são esquistossomose, leptospirose, parasitose, verminoses, hepatite A. As duas últimas são possível apenas pelo consumo via oral, enquanto que as demais podem acometer as pessoas através do contato com a pele. “A esquistossomose pode entrar através do sola do pé, que coincide com a questão de ter 'barriga d'água'. Já a diarreia está relacionada com a questão da ingestão oral. Você pode ter leptospirose Quando tem contato com a água com urina de ratos e esquistossomose quando tem contato com caramujos que transmitem a doença” pontuou.

Durante uma audiência pública, na terça-feira (29), na Assembleia Legislativa da Paraíba, em João Pessoa, a médica e presidente do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq), Adriana Melo, disse que, mesmo tratada, a água de Boqueirão apresenta toxidade em padrões lesivos ao organismo humano. A afirmação parte dos resultados de uma pesquisa solicitada pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande e realizada por cientistas do Instituto Butantã e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em setembro deste ano. Os resultados da pesquisa serão apresentados em coletiva de imprensa com a secretária nesta quarta (30), às 14h, na sede da secretaria.

Cagepa garante que níveis de toxidade estão dentro do recomendado pelo Ministério da Saúde

De acordo com o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Meneses, todo o controle e monitoramento da água é realizado a partir da portaria 2914 de 2011 do Ministério da Saúde, que estabelece os procedimentos que devem ser realizados pelas companhias que distribuem água. Meneses afirma que as toxinas encontradas na água estão dentro dos padrões do MS, conforme os últimos laudos do laboratório de Ecologia Aquática da Universidade Estadual da Paraíba, responsável pelos testes.

Ainda conforme Ronaldo Meneses, O laboratório faz a coleta de água no açude, na estação de tratamento e em hospitais da cidade. “O monitoramento é feito semanal. São coletadas amostras de água do açude de boqueirão e da água tratada da estação de tratamento de Gravatá. Em campina Grande também são coletadas amostras no Hospital de Trauma, no Hospital da Fap, no HU, no Doutor Edgley, Antônio Targino e no Hospital João XXII. O laboratório da UEPB nos emite laudos com resultados sobre essas coletas semanais”, disse.

Meneses lembra que no dia 9 de novembro deste ano foram encontrados dois tipos de toxinas após a água passar pelo tratamento. De acordo com os laudos, foram encontrados 0,2 micrograma da toxina Sxitoxina mas o valor máximo permitido é de 3,0 micrograma, conforme o gerente da Cagepa. Os laudos também identificaram a presença da Cilindro Per Mopsinas, mas o número também foi de 0,2 micrograma e o permitido pela portaria é de 1,0 micrograma por litro. Por causa desse resultado a Cagepa disse que complementou o tratamento da água, através da oxidação avançada.

“A Cagepa aguarda o enviou, por parte dos responsáveis pela pesquisa, de todos os resultados e sobre a metodologia utilizada. Nessa metodologia, devem ser informados os pontos de coleta, o horário e dia. Informando também se é água bruta ou água tratada. Se for tratada, informar se foi diretamente da rua ou de residências. Dizer se foi água de poços, carros-pipa ou cisternas. A partir disso é que a Cagepa vai verificar essas informações” finalizou Ronaldo Meneses.