Vida Urbana

Internos ateiam fogo em colchões em Centro Socioeducativo

Princípio de rebelião foi o segundo registrado na unidade em uma semana. 



 Um grupo de internos do Centro Socioeducativo Edson Mota, localizado no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, queimaram colchões e danificaram parte da estrutura da unidade na madrugada deste sábado (19). O presidente da Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac), Noaldo Meireles, disse ao G1 que os internos conseguiram sair das alas danificando as colunas que fazem parte do sistema de ventilação dos quartos.

Os que eram mais magros, segundo Meireles, conseguiram passar pelo espaço da coluna, sair dos quartos e quebrar os cadeados, liberando outros internos. Ainda de acordo com Meireles, os internos não apresentaram nenhuma reivindicação como motivação para o tumulto.

Os internos chegaram a tirar os colchões dos quartos, atear fogo neles, subir nos telhados e jogar pedras. O tumulto foi, inicialmente, contido pelos agentes socioeducativos. Em seguida, de acordo com Meireles, a Polícia Militar teve que intervir com uso de bala de borracha e bomba de efeito moral para que os internos permitissem a entrada da equipe do Corpo de Bombeiros.

Dois internos ficaram feridos. Um deles teve um corte na cabeça ao subir no telhado e foi atendido pelo Samu no local. Outro foi atingido por um tiro de bala de borracha na perna e foi levado para o Hospital de Emergência e Trauma. Segundo o presidente da Fundac, ele está bem e já retornou à unidade.

As alas envolvidas no tumulto deste sábado abrigam cerca de 80 internos. Uma sindicância foi aberta para apurar quem foram os internos envolvidos no tumulto. Quem for identificado pode ter a visita e o banho de sol suspensos. Pelo menos oito já foram identificados como causadores dos danos à estrutura do centro e, após a identificação de todos, vão ser encaminhados à delegacia para responder por incêndio, dano ao patrimônio e ameaça.

Com danos estruturais no centro socioeducativo, acumulados desta madrugada e de outro tumulto semelhante que aconteceu na segunda-feira (14), os internos tiveram que ser relocados em outras alas da unidade. Noaldo Meireles informou que vai consultar a disponibilidade de outras unidades para iniciar um processo de transferência.