Vida Urbana

Motoristas de Uber denunciam 'perseguição' por parte da Semob

Casos denunciados aconteceram na última quinta (3). 



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Segundo Queiroz, os motoristas do Uber compreendem a fiscalização da Semob, mas não aceitam abordagens atípicas

A atuação do Uber em João Pessoa continua causando polêmica. Segundo motoristas parceiros da empresa, eles estão sendo "perseguidos" pelos agentes da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob-JP). Conforme o presidente da Associação dos Motoristas Uber de João Pessoa, Paulo Queiroz, na última quinta-feira (3) aconteceram dois casos, nos bairros de Cabo Branco e Jardim Oceania, que mostram abordagens atípicas por parte dos agentes da Semob. Para Carlos Batinga, superintendente da Semob-JP, não há perseguição e casos denunciados não chegaram a conhecimento do órgão. O Uber começou a operar em João Pessoa em setembro, e já houve caso de perseguição de taxistas a motoristas com passageiros no bairro do Bessa.

"Duas situações que ocorreram ontem a noite, uma no Bar do Cuscuz e outra perto do Chopp Time, mostraram abordagens atípicas. Na primeira a Semob abordou e mandou os passageiros saírem, inclusive, mandando eles andarem de táxi. Foi uma abordagem diferente das que eles fazem. Aliás, essa foi motivada por contato de taxistas com a Semob", afirmou Paulo Queiroz.

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"Na segunda [abordagem], no bairro Jardim Oceania, um outro motorista do Uber viu o agente [da Semob] com o celular na mão e 'rastreando' os carros através do próprio aplicativo. Quando o motorista [solicitado] chegou próximo ao bar, ele estacionou longe e foi buscar a pé os passageiros. O agente viu, seguiu ele, e durante a caminhada ficou mandando os passageiros não usarem o serviço. Foi novamente uma abordagem atípica", contou Queiroz.

Segundo Queiroz, os motoristas do Uber compreendem a fiscalização da Semob, mas não aceitam abordagens atípicas e às vezes ríspidas. "A Semob tem que fazer a ação dela de modo imparcial, e não rastreando pelo aplicativo, porque dá uma conotação de perseguição", disse. "Queremos uma fiscalização para todos, de forma neutra, e não apenas para com o Uber", acrescentou.

"É estranho, para não usar outras palavras, os agentes ficarem usando o próprio aplicativo para, como brincamos, 'caçar pokémon', ficar caçando os ubers", declarou Queiroz.

O que diz a Semob

Para o superintendente da Semob-JP, Carlos Batinga, não existe nenhum tipo de perseguição contra os motoristas do Uber. “A fiscalização do transporte irregular é feita de forma rotineira. Não temos opção por um ou outro, nossa postura é agir conforme a lei", disse. Há uma lei em João Pessoa, de outubro de 2015, que caracteriza o Uber como transporte irregular.

Sobre os casos denunciados pelo presidente da  Associação dos Motoristas Uber de João Pessoa, Batinga disse que a ainda não tomou conhecimento das queixas. "As abordagens [denunciadas] não chegaram a nosso conhecimento. Inclusive nossos agentes são muito capacitados para atuar [na fiscalização aos Ubers]. Aqui em João Pessoa ainda existe uma lei que configura irregular o transporte, e ela ainda está vigor”, esclareceu o superintendente.

Caso as denúncias cheguem oficialmente até o órgão, Batinga afirma que "a Semob tomará providências".