Vida Urbana

Polícia Federal não vê crime na participação de Marvin em chacina na Espanha

Delegado disse que não tinha elementos para prender jovem.



Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo
Marvin Henriques conversou com Patrick no momento dos crimes em Pioz

Nesta sexta-feira (4) completa uma semana que Marvin Henriques Correia está preso sob a suspeita de participar da chacina da família de paraibanos em Pioz, na Espanha. A prisão, ocorrida em João Pessoa , aconteceu a pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB). No entanto, a Polícia Federal, que comandou a investigação, não vê como crime a participação do jovem. Tanto que, ao concluir o inquérito, não pediu a prisão do jovem.

Marvin foi preso preventivamente na sexta-feira (28). Segundo a Polícia Civil, que realizou a prisão, as investigações comprovam que o jovem de 18 anos manteve contato direto com François Patrick Nogueira Gouveia, que confessou a chacina em Pioz, quando este matava o tio, Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal. As conversas teriam acontecido pelo aplicativo de mensagens WhatsApp e Marvin teria, inclusive, dado dicas de como mutilar e ocultar os cadáveres.

O JORNAL DA PARAÍBA teve acesso a trechos do inquérito da Polícia Federal que investiga Patrick Gouveia. No documento, o delegado Gustavo Barros destaca ''que não há elementos para dizer se Marvin sabia com antecedência dos planos de Patrick ou mesmo se tinha algum interesse ou participação nos mesmos”. Diante disso, ao encerrar a investigação, decidiu por não indiciar, nem prender o amigo de Patrick.

“Ele está preso por homicídio. Mas ele matou alguém? Não. Ele forneceu meios para que alguém fosse morto? Não”, afirmou Gustavo Barros, em contato com a reportagem. O delegado da PF ressalta que as conversas deixam claro que o contato entre Patrick e Marvin começou quando Janaína e os dois filhos do casal, Maria Carolina e Davi, já estavam mortos. E diz que, na ótica dele, não se pode afirmar que Marvin tenha influência direta na morte de Marcos. “Se tirássemos o Marvin da história, a situação teria acontecido do mesmo jeito”, pontuou.

O inquérito da Polícia Federal foi aberto quando Patrick Gouveia estava no Brasil. A investigação foi encerrada em 24 de outubro, dias após o jovem retornar para a Espanha e na sequência confessar o quádruplo assassinato.

Gustavo ponderou que o tom das conversas entre Patrick e Marvin é muito grave, mas que isso, por si só, não pode ser considerado uma ação criminosa. “O comportamento é reprovável , do ponto de vista moral, ético, mas não é crime”, ressaltou. Ele ainda comparou a situação com casos de homicídios onde várias pessoas testemunham, mas se negam a falar. Para Gustavo, nessa leitura, essas pessoas também deveriam ser presas. "Ele foi ouvido por nós e disse que não denunciou por que ficou com medo". Sobre o pedido de prisão, feito após a PF remeter o inquérito à Justiça, o delegado disse que é “uma questão de entendimento”.

O Ministério Público da Paraíba  fez uma leitura contrária e considera que as conversas de Marvin com Patrick o colocam como participante do crime. “Os assassinatos foram na Espanha, ele estava aqui no Brasil, mas a troca de mensagens em tempo real fazem como que ele estivesse participando da cena do crime”, disse o promotor Márcio Gondim. Ele não foi o responsável pelo pedido, mas participou da audiência de custódia que decidiu que Marvin continuaria preso , na segunda-feira (31), e manteve o entendimento da manutenção da preventiva. “Nos posicionamos pela repercussão social e a garantia da ordem pública”.

Gondim destacou que as investigações estão apenas no começo, mas os indícios contra Marvin, para ele, são muito fortes. “Ele concordou e fomentou a conduta [os assassinatos] cometida por Patrick”, disse. O promotor também destacou que a leitura feita pela PF não necessariamente influenciam a do Ministério Público e a do Judiciário.

Marvin está preso em um setor isolado do Complexo Penitenciário Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em João Pessoa. Mas o pai do jovem, Percival Henriques, disse que a defesa já entrou com um habeas corpus na Justiça para tentar conseguir a liberdade dele.

 

Relembre o caso

Os corpos das famílias paraibanas foram descobertos no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência.
 
Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. E François Patrick Nogueira Gouveia foi apontado como único suspeito, após a polícia achar material genético dele no local do crime.

Após se entregar na Espanha, Patrick confessou ser de fato o autor do crime. Em depoimento, ele não revelou os motivos que fizeram com que ele cometesse o assassinato, disse apenas que “sentiu uma ódio incontrolável e uma vontade de matar”.

Na sexta-feira (28), surpreendentemente, a Polícia Civil da Paraíba anunciou a prisão de um segundo suspeito de envolvimento nas mortes. A prisão preventiva de Marvin Henriques Correia foi pedida pelo Ministério Público, que acredita que o jovem de 18 anos participou do crime, mesmo à distância..