Vida Urbana

Cagepa não tem 'plano B' para abastecimento de Campina Grande e região

Atual modelo de racionamento das cidades abastecidas por Boqueirão está mantido até junho de 2017.



Diego Almeida
Diego Almeida
Esclarecimentos do presidente da Cagepa foram dados em entrevista coletiva

O presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Marcus Vinícius Neves, disse que não existe um 'plano b' para o abastecimento de água de Campina Grande e das cidades que dependem do açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. As afirmações foram feitas durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (3), na sede da companhia em Campina Grande, onde também foram apresentados os estudos realizados nos reservatórios da região e rebatida a ação na Justiça que a prefeitura da cidade entrou contra a empresa.


Mais uma vez, a Cagepa deixou claro que a única alternativa para resolver o problema da água e acabar com a crise hídrica na região, além da possibilidade de chuvas, é a transposição das águas do rio São Francisco. "Vindo essa água do São Francisco, nós teremos segurança hídrica para manter a vazão ecológica e de irrigação e manter o padrão de estabilidade que a chuva não permite", pontuou Marcus Vinícius.


Conforme os dados repassados na coletiva, o manancial deve atingir os 6,47 milhões de metros cúbicos de água em junho de 2017, e até lá a cidade vai continuar com o atual modelo de racionamento, onde o município foi dividido em duas zonas, tendo três dias de abastecimento para os bairros da zona 1 e mais três dias para os bairros da zona 2.


Sobre as ações realizadas pela Cagepa para solucionar o problema da falta de água, o presidente disse que em nenhum momento a companhia foi inerte sobre esse assunto e que foram realizadas vários estudos e projetados cenários de possibilidades de não haver chuvas na região. Contudo, Marcus revela que nem nos piores cenários se previa uma recarga no Epitácio Pessoa tão baixa como em 2016.


Ainda dentro das ações apresentadas, estão os estudos realizados no açudes de Saulo Maia, José Rodrigues, Gramame-Mamuaba e Araçagi, mas de acordo com o presidente, os levantamentos apontaram a impossibilidade desses reservatórios abastecerem Campina Grande e mais 18 cidades que atualmente recebem água de Boqueirão.

 

Sobre o fato da Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG) ter entrado com uma Ação Civil Pública de Obrigação de Fazer, para a instalação de uma adutora de engate rápido de Monteiro ao Açude de Boqueirão, o presidente considerou a ação descabida de dados técnicos e extremamente inviável, tendo em vista que, segundo ele, a obra demoraria oito meses para ser concluída e seriam necessários 124 quilômetros de adutora.