Vida Urbana

'Gosto de ser mau', disse Patrick aos familiares na Espanha; ouça

Rádio espanhola teve acesso a um aúdio onde Marcos Campos fala sobre o compartamento de Patrick Gouveia.



Reprodução/Cope
Reprodução/Cope
Tio conta que estava decepcionado com o comportamento do sobrinho

“Eu sou uma pessoa má e gosto de ser mau”, foi isso que François Patrick Nogueira Gouveia disse aos familiares dias antes de assassiná-los na cidade de Pioz, na Espanha. A declaração foi relatada por Marcos Campos Nogueira, tio do assassino confesso e uma das vítimas da chacina, em uma mensagem de áudio que ele enviou por WhatsApp para parentes em João Pessoa. A gravação foi obtida pela rádio espanhola 'Cope'. Na gravação, Marcos também desmistifica a versão de que teria abandonado o sobrinho quando a família mudou de casa. (ouça na íntegra abaixo).

Logo no começo da gravação, Marcos diz que está decepcionado com Patrick, pois o comportamento dele, em relação à época em que vivia no Brasil, mudou muito. Afirmou ainda que só continuava abrigando o jovem por consideração aos pais dele. “Ele disse para Janaína [esposa de Marcos], antes da gente se mudar [de Torrejón para Pioz]: 'eu sou um pessoa má. Eu tenho uma carinha de bobo, mas não sou uma pessoa boa não. Eu sou uma pessoa má, e gosto de ser mau' ”, contou Marcos.

Familiares de Janaína Santos Américo já haviam relatado por diversas vezes que ela se queixava constantemente de Patrick. O rapaz tinha atitudes agressivas dentro de casa, principalmente com Maria Carolina, a filha mais velha do casal.

Em depoimento à Guarda Civil da Espanha, Patrick não deixou claros os motivos de ter matado o tio, a esposa dele e os dois primos pequenos, mas insinuou que uma das razões teria sido o abandono por parte de Marcos, quando a família se mudou para Pioz. Na mensagem obtida pela 'Cope', essa situação é explicada por Campos.

Marcos disse que mudança aconteceu em sexta. Ele conta que chamou Patrick e o jovem disse que não iria no dia, ficaria dormindo na habitação onde eles moravam em Torrejón. “Fiquei de pegar ele no sábado ou no domingo. Só que eu trabalhei sábado, domingo e segunda. Na terça fui pegar ele. Quando cheguei ele não estava, disseram que ele tinha ido para um hotel e não deixou nenhum bilhete para mim”, relatou.

O tio destacou que ligou várias vezes para Patrick, mandou mensagens de voz para saber onde ele estava e o que tinha acontecido, mas o jovem não deu retorno. “Ele estava com o telefone como se estivesse bloqueado para não receber minhas chamadas, não sei por quê”, disse. Ao final, ele faz mais revelações sobre o comportamento do sobrinho. “Como ele está tranquilo, tá recebendo dinheiro, tá comendo fora. François [o pai] tá mandando dinheiro, ele não me procura, não tá precisando. Quando apertar um pouquinho, ele me procura”.


Crime brutal

O quádruplo assassinato aconteceu no dia 17 de agosto. As vítimas foram os paraibanos Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal, Maria Carolina e Davi. Os corpos dos paraibanos foram descobertos no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. E François Patrick Nogueira Gouveia foi apontado como único suspeito, após a polícia achar material genético dele no local do crime.

Após se entregar na Espanha, Patrick confessou ser de fato o autor do crime. Em depoimento, ele não revelou os motivos que fizeram com que ele cometesse o assassinato, disse apenas que “sentiu uma ódio incontrolável e uma vontade de matar”.


Na sexta-feira (28), surpreendentemente, a Polícia Civil da Paraíba anunciou a prisão de um segundo suspeito de envolvimento nas mortes. A prisão preventiva de Marvin Henriques Correia foi pedida pelo Ministério Público, que acredita que o jovem de 18 anos participou do crime, mesmo à distância. Ele trocou mensagens via WhatsApp com Patrick, enquanto este executava o crime bárbaro.