Vida Urbana

Tio defende prisão perpétua para sobrinho que matou família na Espanha

Para Walfran Campos, condenação do sobrinho trará alento para a família diante do crime brutal.



Pedro Morais
Pedro Morais
Segundo Walfran, família ficou destruída quando Patrick foi apontado como autor do crime

Prisão perpétua. Essa é a punição que Walfran Campos defende que seja aplicada ao sobrinho François Patrick Nogueira Gouveia, responsável pelo brutal assassinato de quatro familiares na cidade de Pioz, na Espanha. Para o tio, se o assassino confesso receber uma pena menor do que isso, a Justiça não será feita.

A chacina da família de paraibanos aconteceu no dia 17 de agosto e foi descoberta um mês depois. As vítimas foram Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal, Maria Carolina e Davi. Patrick Nogueira se entregou na Espanha em 19 de outubro e poucos dias depois confessou o crime, mas não revelou os motivos dos assassinatos.

De acordo com Walfran, a família estava consternada com as mortes e ficou ainda mais quando foi revelado que Patrick era o assassino. “O choro é constante, é diário. Não vou esquecer nunca, todos os dias eu choro, todos os dias eu comento. Minha mãe chora todos os dias, duas, três vezes por dia, minha irmã [a mãe de Patrick] também”, afirmou.

Campos pontuou que o pode trazer um alento para a família é a condenação de Patrick no mais alto grau. “Só me entra uma coisa na cabeça: prisão perpétua. Na Espanha eles chamam de permanente, porque é revisável, a cada 25 anos eles fazem uma revisão para ver se ele tem condição de voltar para rua. Para mim não deveria ter essa análise, para mim tem que ser perpétua”, afirmou. “Matar duas crianças e um casal, se isso não é perpétua, qual crime vai ser?, indagou.


Quem era Patrick?

Um jovem bom, amável, carinhoso, amigo e muito ligado à família. Era dessa forma que Walfran conhecia o sobrinho Patrick. “Era uma pessoa fenomenal, espetacular”, declarou.

Segundo ele, o rapaz não era violento e a agressão ao professor, ocorrida no Pará, quando Patrick tinha 16 anos, foi uma surpresa para a família. “Ele me contou que o professor vinha lhe provocando, zombava com ele. Ele vinha sustentando há muitos anos e chegou ao ponto dessa atitude, o que não justifica”, ressaltou.

Após a agressão contra o professor, Patrick chegou a passar por um tratamento psicológico. Walfran negou que o jovem tenha rompido com a família depois do crime.

Sobre a tese de insanidade que a defesa de Patrick pode alegar para tentar reduzir a pena relativa aos assassinatos na Espanha, Walfran disse que preferia não fazer julgamentos prévios, mas disse não descartar nenhuma possibilidade, nem mesmo influências espirituais.

“Sinceramente, não descarto nenhuma hipótese, nenhuma possibilidade, seria leviano da minha parte dizer que é isso ou aquilo. Não sou médico para fazer uma análise, vai ter médico forense para analisar o quadro clínico dele, o que ele realmente tem, o que ele realmente é. Pode ser isto, problema mental, psicológico, que pode ser até espiritual, que muita gente não acredita, mas eu não descarto, como possa ser também a maldade”, pontuou. “O que eu quero, independente da motivação, é que a Justiça seja feita”.

O papel de Marvin

Walfran Campos disse que no tempo em que estava acompanhando as investigações na Espanha disse por diversas vezes aos policiais que Patrick teria contado com a ajuda de alguém para cometer o crime. A prisão de Marvin Henriques Correia, na sexta-feira (28), confirmaria a tese dele.
Segundo a Polícia Civil, as investigações comprovam que o jovem de 18 anos manteve contato direto com Patrick Gouveia, quando este executava a chacina em Pioz. As conversas aconteceram pelo aplicativo de mensagens WhatsApp e Marvin teria, inclusive, dado dicas de como mutilar e ocultar os cadáveres.

O tio de Patrick relembrou que conheceu Marvin no apartamento de Patrick, no dia em que o sobrinho estava indo embora para a Europa. “Eu o achei um cara totalmente esquisito, comentei com a minha irmã. Ele e Patrick juntos, nunca ia desconfiar a esse ponto. Me assustei com o comportamento dos dois”, disse.

“Ele [Marvin] participou do crime, não tenho dúvida. Ele foi muito claro quando disse [nas conversas reveladas] 'concentre, não falhe, boa sorte'. Eu preciso de mais? Precisa de mais provas do que isso?”, questionou, fazendo referência à troca de mensagens do momento em que Marcos chegava em casa. Walfran acredita que se Marvin tivesse tido uma atitude diferente, denunciando a ação de Patrick, o irmão poderia não ter sido assassinado. “Isso é lógico, é óbvio, mas claro que água, impossível. Ele não pensou no sofrimento das famílias”.

Marvin foi preso preventivamente na sexta-feira (28), a pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Na segunda-feira (31),o pedido de liberdade dele foi negado durante uma audiência de custódia. Para o advogado do rapaz, a medida não tem base legal."O Marvin pode até ter apresentado uma conduta moralmente reprovável, mas para o Direito Penal não há crime algum. Essa troca de mensagens não constitui delito", afirmou Sheyner Asfora.

Relembre o caso

Os corpos das famílias paraibanas foram descobertos no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência.
 
Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. E François Patrick Nogueira Gouveia foi apontado como único suspeito, após a polícia achar material genético dele no local do crime.

Após se entregar na Espanha, Patrick confessou ser de fato o autor do crime. Em depoimento, ele não revelou os motivos que fizeram com que ele cometesse o assassinato, disse apenas que “sentiu uma ódio incontrolável e uma vontade de matar”.