Vida Urbana

Alunos da UFPB ocupam campus do Litoral Norte contra a PEC 241

Ocupação acontece há uma semana; aulas seguem normalmente.



Arquivo Pessoal/José Muniz
Arquivo Pessoal/José Muniz
Alunos estão ocupando o auditório do campus IV, que está com obra inacabada. Eles protestam também pela sua liberação

Alunos do campus Litoral Norte da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estão ocupando as instalações da instituição em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos, a PEC 241, que pode defasar a educação e a saúde no país, segundo alguns especialistas. A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 25 e segue para votação do Senado Federal. Na ocupação acontecem atividades dentro do campus e os alunos também realizam atividades em escolas da região. Cerca de 30 alunos estão participando fixamente da ocupação e há a expectativa de maior adesão por parte da organização.

A ocupação dos alunos começou no dia 26 de outubro e o objetivo maior é protestar e conscientizara população sobre a PEC 241. "Essa é mais uma das ações contra a PEC [241], e contra o desmonte da educação", disse a professora de Antropologia, Kelly Oliveira. "Nosso objetivo maior é protestar contra a PEC 241", concordou o aluno Guilherme Monteiro, que está atuando na mobilização. Obras inacabadas no campus também são alvo do protesto dos alunos. "Além disso, como estamos ocupando um auditório com a obra quase terminada, queremos liberar ele para nos beneficiarmos desse espaço", disse Guilherme.

Os alunos não paralisaram as aulas, inclusive, querem a presença de outros alunos nas aulas para trabalharem as atividades da mobilização. "As aulas continuam. Os alunos estão assistindo aula e os professores dando aula normalmente. Os alunos não querem que parem as aulas, mas sim que mobilizemos a instituição politicamente", destacou Kelly. Segundo Guilherme, o movimento quer que "eles [alunos] venham para conscientizar sobre a situação". 

Alunos também protestam por mais segurança na região do campus IV, que vem sofrendo com a insegurança (Foto: Arquivo Pessoal/José Muniz)

Atividades estão sendo realizadas pelos alunos dentro e fora da instituição de ensino. Na segunda-feira (31), os alunos foram na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Senador Rui Carneiro, localizada na cidade de Rio Tinto, na Região Metropolitana de João Pessoa, para discursar sobre a PEC 241 e a reforma do ensino no Brasil com os estudantes. "A PEC vai prejudicar principalmente os secundaristas. Estamos dialogando com eles, mostrando a realidade que eles vão enfrentar no futuro, principalmente pra entrarem na universidade, porque ela está se deteriorando", disse Guilherme.

Ocupações em escolas e universidades estão acontecendo no Brasil inteiro, todas com foco em protestar contra a PEC 241. Sobre essa onda de protesto, Guilherme Monteiro enxerga a situação com importância e comenta sobre o momento de mobilização estudantil. "É super importante [a onda de ocupações], e tem que haver o movimento. É uma causa realmente justa. Querer congelar por 20 anos [os gastos] é um desastre para educação e saúde do Brasil", analisou o estudante. "O brasileiro deve exercer mais sua cidadania e seus direitos. É hora de agir, porque a causa é bem maior. Estamos vivendo um momento tenebroso, um congresso que representa quase ninguém", finalizou.

Além da PEC 241

Representantes da instituição se reuniram com a Associação dos Docentes da UFPB (Aduf-PB), e determinaram um calendário de atividades em Rio Tinto e Mamanguape. "Vamos fazer passeatas, mobilização sobre o dia 11 [Dia Nacional de Greve], e também sobre segurança na [via da] BR, onde vem acontecendo muitos assaltos e tentativas", adiantou Kelly.

"Está rolando onda de assalto na estrada entre Mamanguape e João Pessoa, e até dentro do campus. Ao redor também", é assim que Guilherme resume a segurança na região. Segurança que também é pauta para a mobilização dos alunos do campus. Na próxima quinta-feira (4), a partir das 15h (horário local), acontece uma reunião com representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para tratarem sobre a segurança na via, onde participam alunos, professores e representantes da comunidade local.