Vida Urbana

Conheça histórias mal-assombradas dos cemitérios de João Pessoa

Seja no São José, seja no Boa Senteça, não faltam causos de arrepiar os cabelos.



Kleide Teixeira
Kleide Teixeira
Cemitérios de João Pessoa guardam histórias sobrenaturais que causam espanto a funcionários e visitantes

Em todos os lugares, sobretudo no Nordeste, são frequentes os causos e histórias que fazem parte da cultura. Quem nunca ouviu falar do 'homem do saco', da 'loira do banheiro', do 'papa figo' e de outros personagens folclóricos? Neste Dia de Finados, que tal conhecer mais histórias arrepiantes de 'malassombros' que a lógica humana não explica?

Para te ajudar nesta tarefa, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA visitou cemitérios de João Pessoa para saber de algumas. Há quem duvide da veracidade delas, há quem jure de pé junto que são reais. Duvida? Nós não.

A moça do táxi e o terror dos taxistas

No cemitério São José, localizado no bairro de Cruz das Armas, um dos mais antigos de João Pessoa, fundado em 2 de fevereiro de 1950, são muitos os casos estranhos e sobrenaturais que rondam os corredores e vielas dos mais de 2.500 túmulos.  Uma das histórias mais conhecidas é a da 'moça do táxi'. Quem nos conta com riqueza de detalhes é o auxiliar administrativo do cemitério, Leonardo Gama. Ele diz que, em uma determinada noite, uma loira muito bonita pegou um táxi no Centro, de madrugada, e rodou por toda a cidade com o taxista.

Quando estava passando em frente ao cemitério São José, ela pediu ao motorista que parasse. O taxista ficou bastante assustado, não sabia o que a moça queria fazer. Para acalmar o homem, antes de entrar no local, ela decidiu passar todos os dados: nome completo, endereço, nome da mãe.

O taxista, ainda assustado, resolveu esperar pela moça por mais duas horas, contando com o pagamento da corrida. Quando o dia já amanhecia, ele decidiu, então, ir atrás dela e, ao chegar na porta do cemitério, descobriu que o local estava trancado e não havia ninguém lá. 

Após voltar para casa, pela manhã, ainda intrigado o taxista foi ao endereço que a moça havia lhe dado. Para sua surpresa, o endereço existia e estava correto: tudo era exatamente como a moça havia descrito. Ao chegar na casa, uma senhora atendeu a porta e o motorista contou a história.

Quando descreveu a moça que havia passado a madrugada rodando com ele, a mulher começou a chorar. O nome dado pelo taxista e a descrição feita era a de sua filha, que havia falecido há mais de cinco anos e, lá no cemitério São José, estava enterrada. Há quem diga que tem taxista que não para o carro de madrugada por dinheiro algum, se a passageira for loira e bonita.

A noiva que passeia entre os túmulos

Outra história que envolve o cemitério São José é a da noiva que passeia entre os túmulos ainda com o vestido que usou no dia do casamento. Segundo Leonardo Ferreira, morador de Cruz das Armas, uma jovem noiva havia acabado de se casar na antiga capela de São José, localizada no próprio bairro onde também está localizado o cemitério. Logo após o casamento, veio a falecer e, como havia morrido no dia do casamento, foi enterrada usando o vestido de noiva no cemitério, que havia sido inaugurado há pouco tempo.

Leonardo diz que nunca viu o 'malassombro', mas jura de pés juntos que até hoje, mais de 60 anos após a morte, na noite das bodas, a noiva perambula pelo cemitério. O que ela faz perambulando no mundo dos vivos, ninguém sabe, mas, certamente, assusta a muitos que andam pelo local.

O justiceiro

O cemitério Senhor da Boa Sentença, localizado no bairro do Varadouro, foi fundado em 1930 e é o mais antigo da capital. Lá, quem nos recebe é José Barbosa. Hoje aposentado, Zé Barbosa trabalha como vigia no local desde 1952. 

O funcionário nos fala de um espírito que ele nunca viu, mas que já teria sido avistado por outros funcionários e visitantes do cemitério. O espírito atormenta as almas de mortos enterrados no Boa Sentença que teriam feito más ações durante a vida – assassinos, ladrões, etc.. "Dizem que ele sai de madrugada para atormentar o túmulo dessas pessoas", conta Zé Barbosa.

Segundo ele, o espírito 'justiceiro' reside em um túmulo vazio, sem corpo algum. Apesar disso, ele diz não saber a localização do jazigo. O espírito atormentaria também os vivos: "se uma pessoa má-intencionada entra no cemitério, ele gruda nela para atormentá-la", avisa.

A funcionária do Boa Sentença

As histórias que rondam o Boa Sentença são muitas, segundo o vigia; mas uma delas ainda lhe provoca um frio na espinha por ter acontecido com ele mesmo. Zé Barbosa conta que, na década de 1970, trabalhou no Boa Sentença uma funcionária de nome Estela, que fumava muito e vivia pedindo por cigarros. Estela morreu pouco tempo depois de começar a trabalhar no cemitério e foi enterrada lá mesmo, no túmulo da família. 

Cerca de três meses depois de sua morte, Zé Barbosa estava em uma salinha reservada para os funcionários da administração, quando ouviu ruídos do lado de fora. De acordo com ele, já passava das dez horas da noite. "Eu estranhei porque não tinha ninguém no cemitério a essa hora", diz. Ele esperou por um tempo até que os ruídos cessaram.

Alguns minutos depois, entretanto, ouviu um grito, "quase um choro" que chamava por seu nome. Estela apareceu na porta da sala, usando o mesmo vestido bordado que ela usava para ir trabalhar. Zé Barbosa conta que ela só olhou para ele por algum tempo, ainda chamando seu nome, antes de recuar para a escuridão do cemitério. O homem afirma que o espírito dela ainda ronda as proximidades de seu túmulo, principalmente à noite. "Não sei se ela queria os velhos cigarros para estar me chamando", ressalta, "mas nunca vou esquecer daqueles gritos".