Vida Urbana

Suspeito de ajudar Patrick vai permanecer preso no PB1

Pedido de liberdade de Marvin Henriques Correia foi negado.



Marvin Henriques Correia, suspeito de participação na chacina de uma família paraibana na Espanha, teve o pedido de liberdade negado durante audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (31) no 2º Tribunal do Júri de João Pessoa. Com a decisão, Marvin permanecerá preso preventivamente na Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em João Pessoa, até a conclusão das investigações.

A decisão foi tomada pela juíza Francilúcia Rejane de Souza. "Fizemos o pedido para que ele fosse enviado para uma unidade que lhe forneça segurança, onde não haja ameaça à sua integridade física", explicou o advogado de Marvin, Sheyner Asfora.

Para Asfora, entretanto, a manutenção da prisão preventiva não tem base legal. "O Marvin pode até ter apresentado uma conduta moralmente reprovável, mas para o Direito Penal não há crime algum. Essa troca de mensagens não constitui delito", afirmou.

Marvin foi preso preventivamente na sexta-feira (28), a pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Segundo a Polícia Civil, as investigações comprovam que o jovem de 18 anos manteve contato direto com François Patrick Nogueira Gouveia, que confessou o crime, quando este matava o tio, Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal. As conversas teriam acontecido pelo aplicativo de mensagens WhatsApp e Marvin teria, inclusive, dado dicas de como mutilar e ocultar os cadáveres.

"Coisa de doente mesmo", diz Marvin em mensagens


Nas mensagens que compõem o inquérito obtidas pelo JORNAL DA PARAÍBA, Marvin chama Patrick, que cometeu os assassinatos, de "doente" e "psicopata".

"Eu dei facada", diz Patrick, ao que Marvin responde "ne vei [sic]". Em seguida, Marvin chama o amigo de "assassino lixo". "Não sei como opinar a respeito do que você deve fazer", escreve Marvin em outro momento.

De acordo com Sheyner Asfora, as mensagens demonstrariam que Marvin  não incitou Patrick a cometer o crime. "Para que ele participasse do homicidio seria necessário que ele auxiliasse materialmente o Patrick, o que não aconteceu; ou que ele instigasse ou induzisse o crime, o que também não aconteceu", argumenta o advogado. "Patrick envia a primeira mensagem somente após matar as três primeiras pessoas, em nenhum momento o Marvin participou de alguma forma ou incitou o crime", diz. Outras partes da conversa foram divulgadas pelo Fantástico neste domingo (30).

Asfora acrescentou que irá entrar com um pedido de habeas corpus para libertar Marvin. "Não há base alguma para a prisão. Essas mensagens são irrelevantes", afirma.

Para a polícia, entretanto, as mensagens comprovam que Marvin incentivou Patrick durante os homicídios. "Ele [Patrick] perguntava como agir. Como ele deveria agia com as vítimas, o que ele fazia, qual a melhor forma que ele tinha de ocultar os corpos. E o jovem [Marvin], de prontidão, orientava seu amigo Patrick como agir", relatou o delegado responsável pelo caso, Reinaldo Nóbrega.

Pai acredita que jovem não colaborou com o crime

O pai de Marvin, Percival Henriques, disse em entrevista que não acredita que o filho tenha colaborado 'em tempo real' com o crime. "A prisão preventiva é um exagero. Marvin não oferece risco para sociedade. Não obstruiu, nem tem como interferir nas investigações e não há a menor possibilidade de ele fugir, o que aliás nem sentido faria", afirmou Percival Henriques.

O pai de Marvin confirma que Patrick Gouveia era o melhor amigo do seu filho e, como em qualquer amizade, um confiava muito no outro. Percival disse que não vê como factível a tese de que Marvin orientou Patrick durante os assassinatos. "Estão tentando construir um monstro, onde só há um cara que acabou de sair da adolescência", disse.

Relembre o caso

Os corpos de Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles foram encontrados em sacos plásticos, dentro da casa em que moravam, no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência. Os investigadores acreditam que as vítimas estavam mortas há cerca de um mês.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.