Vida Urbana

Pai de Marvin não acredita que filho tenha orientado Patrick

De acordo com Percival Henriques, jovem não é um 'monstro'.



O pai de Marvin Henriques Correia não acredita que o jovem tenha colaborado 'em tempo real' com Patrick Gouveia durante a chacina da família de paraibanos, ocorrida na cidade de Pioz, na Espanha. Percival Henriques fundamenta sua convicção em dois pontos: o perfil do filho e informações da investigação divulgadas pela imprensa espanhola. Ele admite, no entanto, que o filho recebeu imagens do crime e errou ao não denunciar o amigo.

Marvin foi preso preventivamente na sexta-feira (28), a pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Segundo a Polícia Civil, as investigações comprovam que o jovem de 18 anos manteve contato direto com Patrick quando este matava o tio, Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Janaína Santos Américo, e os dois filhos pequenos do casal. As conversas teriam acontecido pelo aplicativo de mensagens WhatsApp e Marvin teria, inclusive, dado dicas de como mutilar e ocultar os cadáveres.

"A prisão preventiva é um exagero. Marvin não oferece risco para sociedade. Não obstruiu, nem tem como interferir nas investigações e não há a menor possibilidade de ele fugir, o que aliás nem sentido faria", afirmou Percival Henriques.

O pai de Marvin confirma que Patrick Gouveia era o melhor amigo do seu filho e, como em qualquer amizade, um confiava muito no outro. Percival disse que não vê como factível a tese de que Marvin orientou Patrick durante os assassinatos.

"Marvin é um menino doce, sempre solícito com os amigos, tem um numero muito grande de pessoas que sabem que ele é gentil, sensível, gosta de animais e de crianças. Estão tentando construir um monstro, onde só há um cara que acabou de sair da adolescência", afirmou Percival."Não há a menor possibilidade de ele não ter vomitado ou passado mal se visse a cena [os assassinatos] no local do fato", completou.

De acordo com Percival, a defesa do filho ainda não teve acesso ao inquérito instaurado pela Polícia Civil. Ele disse ainda que as versões da polícia paraibana e da Guarda Civil espanhola, responsável pela investigação central, são completamente diferentes.

Uma reportagem do jornal 'El País' afirma que o que foi relatado pela a Polícia Civil não encaixa com o que foi descoberto pela Guarda Civil. O principal ponto seria o contato em 'tempo real' entre Marvin e Patrick. A investigação espanhola afirma que o celular do assassino confesso da família não estava ligado no momento do crime. O aparelho teria sido usado quando o jovem chegou em Pioz, por volta das 18h, no dia do crime e só voltou a ser usado na manhã do dia seguinte, quando ele deixou o local. Dessa forma, em tese, seria impossível que Patrick tenha pedido ajuda a Marvin.

Percival confirma que o filho recebeu de Patrick imagens do brutal quádruplo assassinato, mas que isso teria acontecido depois do crime, não durante. Diz ainda que o rapaz errou ao não denunciar o amigo. E inclusive defende que ele seja penalizado por isso. "Por tê-las mantido. Por conversar longamente com o assassino depois dele ter praticado tamanha crueldade".

Presidente da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), uma organização não-governamental que trabalha a expansão da internet, Percival é a favor da criação de um dispositivo legal exclusivo para punir pessoas que armazenam e disseminam imagens de crimes e tragédias. "Para que toda sociedade possa saber que não deve fazer da carnificina, da desgraça alheia uma opção de entretenimento".

Para saber sobre o acesso da defesa de Marvin ao inquérito, que ainda não foi liberado, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA tentou sucessivas vezes entrar em contato com o delegado responsável pelo caso, Reinaldo Nóbrega, contudo as ligações não foram atendidas.