Vida Urbana

Discriminação é grande problema de pessoas com psoríase

Com tratamento, paciente consegue conviver com a lesão.



Agência Brasil
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Representantes da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Unidade de Dermatologia do Hospital Regional da Asa Norte e da Associação Brasileira de Psoríase esclarecerem a população sobre a doença

No Dia Mundial de Conscientização da Psoríase, a coordenadora do ambulatório de psoríase do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, Letícia Oba Galvão, alertou que o principal problema do paciente ainda é a discriminação. “Como são lesões na pele, placas vermelhas descamativas, as pessoas leigas acham que é contagioso. Por isso, o paciente acaba se fechando, se cobre e não procura um tratamento”, afirmou.

A dermatologista explicou que, apesar de incomodar, com coceiras e ardência na pele, com o tratamento adequado o paciente consegue conviver com a lesão e melhorar sua qualidade de vida.

O bancário Edgar Teixeira Dias, de 53 anos, convive há 14 anos com a psoríase e disse que as pessoas sofrem muito preconceito. “Apesar de não ser transmissível, há muita discriminação. As pessoas olham as lesões e se assustam sem saber o que é. O aspecto da doença choca as pessoas, faz com que elas se afastem e isso cria uma dificuldade a mais para os portadores”, informou Edgar, que é presidente da Associação Brasiliense de Psoríase.

A psoríase é uma doença crônica, grave e não transmissível. Ela causa vermelhidão e irritação na pele. As áreas mais acometidas pelas lesões são cotovelos, joelhos e couro cabeludo. O tratamento varia conforme o grau de gravidade.

“Quadros leves são tratados com pomadas. Conforme as estatísticas, 30% a 40% dos quadros são leves. Como é uma doença crônica, às vezes o paciente cansa de ficar cuidando, mas alguns ficam com o quadro leve a vida toda”, acrescentou Letícia.

Ela esclareceu que os quadros mais graves podem levar a comprometimentos definitivos nas articulações. Além disso, os pacientes de psoríase têm mais chances de ter eventos cardiovasculares, como infartos e pressão alta, e síndromes metabólicas em geral, como diabetes e obesidades. “Por isso, quadros moderados e graves exigem o acompanhamento mais contínuo”.

O Distrito Federal conta com ambulatórios de referência no Hran e no Hospital Universitário de Brasília. Segundo Letícia, o Sistema Único de Saúde oferece tratamento para a artrite psoriásica, enquanto a Secretaria de Saúde do Distrito Federal fornece tratamento especial para psoríase grave nesses dois ambulatórios.

A doença atinge de 1% a 3% da população mundial. A maior incidência é em caucasianos, entre 30 e 50 anos.

O estado emocional do paciente também interfere no desenvolvimento das lesões. “O paciente fica mais nervoso quando passa por períodos de estresse. Nesse caso, ele tem um piora do quadro”, finalizou a dermatologista.