Vida Urbana

Amigo de Patrick publicou mensagem 'suspeita' na noite da chacina da família

"Hoje aconteceu uma doidera que nunca poderei contar a ninguém", publicou Marvin em conta no Twitter.



Reprodução/Internet
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Marvin e Patrick eram amigos e os dois se encontraram em João Pessoa após a morte da família

O estudante Marvin Henriques Correia apresentado na manhã desta sexta-feira (28) pela Polícia Civil, em João Pessoa, como suspeito indireto da chacina da família paraibana na Espanha, publicou, no dia 17 de agosto, possível data do crime, às 23h12, uma mensagem em seu perfil no Twitter que provavelmente tenha relação com a morte dos dois adultos e das duas crianças por Patrick Gouveia, em Pioz, reigão de Guadalajara: "Hoje aconteceu uma doidera que nunca poderei contar a ninguém", publicou. "Refletindo sobre", emendou em uma publicação posterior.

Bastante ativo nas redes sociais, Marvin mantinha perfis no Facebook, Instagram, Twitter, e outras mídias sociais. O jovem é amigo do assassino confesso, Patrick Gouveia, sobrinho de Marcos Campos, pai da família morta. Segundo a polícia, Patrick conversou com Marvin enquanto cometia o crime, pediu dicas de como proceder com os corpos, o que fazer, e trocou fotos com o jovem.

A ligação estreita com Patrick também fica evidente através de publicações nas redes sociais. Fotos em festas, encontro de amigos e, inclusive, dormindo na casa de Patrick estão publicadas na internet. Em outro momento, ao ser questionado em uma rede social de perguntas sobre "amigos especiais", Marvin cita Patrick como o primeiro da lista.

Repercussão entre amigos

Amigos de Marvin Henriques se manifestaram através de redes sociais sobre a prisão dele. Alguns mostraram-se surpresos e chocados com o fato, outros rechaçando uma possível defesa do jovem entre o círculo de amigos deles. "Sem conseguir acreditar", publicou um amigo do estudante. Outra amiga mostrou-se triste com o fato. "Meu Deus. [...] Como é que alguém fica tirando onda com isso", postou.

"Vamos aprender a separar amizade de impunidade", justificou outro jovem. "Não é pq (sic) é amigo que defende uma monstruosidade dessas não", publicou outra.

Caso completo

O segundo suspeito de participação na chacina de uma família paraibana na Espanha, é um amigo de Patrick Gouveia - assassino confesso do seu tio, a esposa dele, e os filhos de 1 e 4 anos do casal. A prisão aconteceu na manhã desta sexta-feira (28), no bairro do Bessa, em João Pessoa. Segundo a polícia Marvin Henriques Correia tem 18 anos e é estudante. Ele se comunicava com Patrick durante a execução do crime e dava dicas de como ele proceder e esquartejar os corpos antes de colocá-los dentro dos sacos plásticos. O contato acontecia por meio de WhatsApp.
 
"Durante a execução do crime, Patrick conversava pelo WhatsApp em tempo real com o suspeito presona Paraíba. Patrick perguntava como agir, como ele podia ocultar os corpos, o que fazer", disse, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (28), o delegado Reinaldo Nóbrega, que realizou a prisão.
 
Reinaldo Nóbrega relatou detalhes da participação indireta de Marvin no caso. Segundo ele, o estudante recebeu de Patrick fotos dos corpos multilados via WhatsApp. Por sua vez, o jovem deu seu celular a um amigo contendo as fotos dos cadáveres, esse amigo abriu o aplicativo no celular do suspeito e viu as fotos dos corpos esquartejados. O jovem levou o celular do amigo de Patrick para a Polícia Federal.
 
Mesmo confirmando participação, o jovem se mostrou arrependido e disse que achava que isso não seria crime. "Participou esclarecendo alguns pontos osbcuros", acrescentou Reinaldo Nóbrega. O jovem se encontrou com Patrick duas vezes após o crime em João Pessoa.
 
A polícia cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão, que foram expedidos na quinta-feira (27). Na casa do jovem foram apreendidas uma CPU, que foi apresentada como uma das evidências do caso e também o livro "A parte obscura de nós mesmos: uma história de perversos", de autoria de Elizabeth Roudinesco. O celular que continha as fotos, Marcos Paulo acredita que está anexado ao inquérito principal.
 
A investigação feita no Brasil que terminou com a prisão do segundo suspeito, corria independente do trabalho da Guarda Civil da Espanha. A polícia diz que Marvin não pode ser extraditado e deve responder processo no Brasil. Ele participará de audiência de custódia na próxima segunda-feira (31).
 
François Patrick Nogueira Gouveia era apontado como o único suspeito do crime. Patrick é assassino confesso do casal de paraibanos Marcos Nogueira e Janaína Santos Américo, de 39 anos, e os dois filhos deles, de 1 e 4 anos, na Espanha, não demonstra nenhum arrependimento de ter cometido o crime. A informação é do tio de Patrick e irmão de Marcos, Walfran Campos, que desembarcou nesta quinta-feira (27) em João Pessoa após passar um mês na Espanha para acompanhar o caso, que foi descoberto no dia 18 de setembro.
 
O que diz a defesa de Marvin
 
Segundo o advogado de Marvin Henriques, Sheyner Asfora, a prisão é apenas preventiva e vai esperar a conclusão do inquérito para confirmar se ele teve participação no crime. "Fui contactado pelos familiares para estar aqui neste momento em que ele foi detido, e decretada sua prisão preventiva. Neste primeiro momento o que se está apurando é se ele efetivamente participou do crime de homicídio. Se tem alguma conclusão no sentido de que ele instigou, ajustou, determinou, ou auxiliou de alguma forma a prática do homicídio", afirmou.

"O que tem na investigação preliminar é que o Patrick que já estava na Espanha, em um determinado momento conhecia o Marvin, e encaminhou uma foto [dos corpos]. Isso parte do Patrick e não do Marvin", alega o advogado. Ainda segundo Asfora, trocar mensagens não caracteriza participação no crime. "Deste momento começam a trocar mensagens. Não quer dizer que já está caracterizado que participou para a concretização do crime de homicídio. Ainda está cedo para afirmar isso. Tem que se ter acesso ao conteúdo das mensagens, porque o simpels fato de receber ou trocar mensagens não quer dizer que está participando do crime de homicídio", disse.
 
Sobre a confissão da participação por parte de Marvin, Asfora foi enfático. "Ele confessou apenas que trocou mensagens", afirmou.
 
Relembre o caso

Os corpos de Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles foram encontrados em sacos plásticos, dentro da casa em que moravam, no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência. Os investigadores acreditam que as vítimas estavam mortas há cerca de um mês.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.

O sobrinho de Marcos morou com a família na Espanha durante quatro meses. Segundo familiares de Janaína, durante esse período ela por várias vezes fez queixas de Patrick, dizendo que ele era agressivo e assustava a família. Além disso, Patrick também é dono de um passado violento, tendo sido apreendido quando era adolescente, no estado do Pará, após tentar matar um professor dentro de sala de aula.