Vida Urbana

'Senti um ódio incontrolável', diz assassino de família paraibana

Patrick Gouveia assumiu que matou o tio, a esposa dele e os dois primos.



Reprodução/Antena 3
Reprodução/Antena 3

“Eu senti um ódio incontrolável, algo me dizia que eu tinha que matá-los”. A declaração foi dada por Patrick Gouveia, segundo a imprensa espanhola, após confessar o assassinato da família de paraibanos na cidade de Pioz. O jovem admitiu os assassinatos do tio, Marcos Campos Nogueira, da esposa, Janaína Santos Américo, e dos dois filhos do casal, em depoimento à Guarda Civil de Guadalajara nesta sexta-feira (21).

Segundo o jornal 'El País', quando deixou o Brasil na terça-feira (18), Patrick não disse aos parentes que confessaria o assassinato, informou apenas que iria “esclarecer as coisas”. Apenas Hanna Gouveia Nogueira, irmã mais velha de Patrick, tinha conhecimento disso. Ela tinha estado na Espanha na semana passada junto com o advogado que está representando o jovem no Brasil.

Ainda conforme o 'El País', foi Hanna, que também é advogada , que recomendou a Patrick que ele adiantasse o retorno ao Brasil pois ele “poderia ser o próximo da família a ser morto”. No entanto, quando viu as evidências contra o irmão, orientou que ele voltasse à Espanha. “Nas prisões do Brasil não podia garantir sua segurança”, afirmou ao jornal. Ela inclusive teria negociado com as autoridades a entrega do seu irmão, com uma única condição: que sua integridade física fosse garantida.

Patrick vai depor ainda nesta sexta-feira no Tribunal de Instrução de Guadalajara. A promotoria pediu a prisão preventiva do jovem pelos homicídios, com o agravante de duas das vítimas serem menores de idade.

A defesa de Patrick Nogueira Gouveia vai alegar problemas mentais ou psicopatia para tentar diminuir a pena do jovem. A informação foi repassada pelo tio dele, Walfran Campos, à imprensa espanhola.
Ainda conforme Walfran, em entrevista ao jornal 'El País', o jovem preferiu ir à Espanha temendo pela sua vida, já que poderia ser hostilizado ou morto em prisões brasileiras. "Ele se viu encurralado e veio para ser julgado na Espanha porque em uma prisão no Brasil sabe que não iria sobreviver", afirmou Walfran, que é irmão de Marcos Campos.

Na quarta-feira (19), Patrick se entregou às autoridades espanholas. "Para ele [Patrick], ele se defenderia melhor na Espanha, do que aqui no Brasil", afirmou o advogado Eduardo de Araújo Cavalcanti, que estava representando Patrick no Brasil. O jovem agora conta com um advogado espanhol no caso.

Crime bárbaro

Os corpos de Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles foram encontrados em sacos plásticos, dentro da casa em que moravam, no dia 18 de setembro. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo da residência. Os investigadores acreditam que as vítimas estavam mortas há cerca de um mês.
 
Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.
 
O sobrinho de Marcos morou com a família na Espanha durante quatro meses. Segundo familiares de Janaína, durante esse período por várias vezes ela fez queixas de Patrick, dizendo que ele era agressivo e assustava a família. Além disso, Patrick também é dono de um passado violento, tendo sido apreendido quando era adolescente, no estado do Pará, após tentar matar um professor dentro de sala de aula.