Vida Urbana

Defesa vai alegar insanidade para reduzir pena de suspeito de chacina na Espanha

Patrick Gouveia segue para Guadalajara nesta quinta-feira (20). Família diz que Justiça começa a ser feita.



Francisco G. Ruiz/Guarda Civil
Francisco G. Ruiz/Guarda Civil
Patrick viajou sozinho para a Espanha e se entregou à Guarda Civil

A defesa de François Patrick Nogueira Gouveia, único suspeito da morte de um família de paraibanos na Espanha, vai alegar problemas mentais ou psicopatia para tentar diminuir a pena do jovem. A informação foi repassada pelo tio dele, Walfran Campos, à imprensa espanhola.

Ainda conforme Walfran, em entrevista ao jornal 'El País', o jovem preferiu ir à Espanha temendo pela sua vida, já que poderia ser hostilizado ou morto em prisões brasileiras. "Ele se viu encurralado e veio para ser julgado na Espanha porque em uma prisão no Brasil sabe que não iria sobreviver", afirmou Walfran, que é irmão de Marcos Campos.

Patrick ficou detido em Barajas, distrito de Madri, onde desembarcou na manhã da quarta-feira (19). No início da tarde (no horário espanhol) ele seguiu para um juiz em Madri, para esperar uma decisão da Justiça sobre a sua transferência para a cidade de Guadalajara, onde há a sede da Guarda Civil responsável por Pioz. O juiz autorizou o transporte, e segundo informações da imprensa espanhola ele deve chegar na cidade por volta das 11h30 (horário local).

Na quarta-feira (19), Patrick se entregou às autoridades espanholas. "Para ele [Patrick], ele se defenderia melhor na Espanha, do que aqui no Brasil", afirmou o advogado Eduardo de Araújo Cavalcanti. Ele desembarcou no aeroporto Madri-Barajas e foi preso logo em seguida.

Patrick agora conta com um advogado espanhol, que já está cuidando do caso em Pioz, região de Guadalajara.  "Ele também está com um advogado espanhol já. Um defensor espanhol que é quem pode estar habilitado para a sua defesa", informou Cavalcanti.

Ainda conforme Cavalcanti, a conclusão da investigação vai ser acelerada devido a defesa estar próxima à polícia. "A investigação com certeza vai ser concluída de forma mais rápida para que depois se inicie o processo, com todas as garantias que qualquer acusado tem", concluiu o advogado brasileiro.

Fontes da investigação informaram à agência EFE que Patrick - que é sobrinho de Marcos Campos Nogueira, pai da família assassinada - decidiu se entregar após conversas entre os investigadores espanhóis e o advogado dele que esteve na Espanha na semana passada.

Sentimento de Justiça da Família de Janaína
Familiares de Janaína Santos Américo, dizem estar destruídos emocionalmente, porém agora com um sentimento de que a Justiça está sendo feita. "A justiça está sendo feita a partir de agora. Estávamos acabados. Hoje começamos melhor, mais aliviados, porque a Justiça está sendo feita", afirmou George Gunter Santos Américo, irmão gêmeo de Janaína.

Ainda segundo George, o processo está no início, e a família quer apenas que a Justiça seja feita de forma correta. "[A luta] começou agora. Que ele seja julgado corretamente e a Justiça seja feita", disse.

Relembre o caso
Há exatamente um mês a pequena cidade de Pioz, na província espanhola de Guadalajara, ficou chocada com um crime bárbaro. Uma família, formada por um casal e duas crianças, foi encontrada morta dentro de casa, com os corpos colocados em sacos plásticos. As vítimas seriam identificadas depois como os paraibanos Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles.

Inicialmente a Guarda Civil espanhola trabalhou com a possibilidade de ajuste de contas. Porém, com o avançar das investigações, descartou-se essa tese e, 15 dias após a descoberta dos corpos, o caso foi dado como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.


O sobrinho de Marcos morou com a família na Espanha durante quatro meses. Segundo familiares de Janaína Diniz, durante esse período ela relatou por várias vezes fez queixas de Patrick, dizendo que ele era agressivo e assustava a família.“Ela mostrava medo dele. Patrick tinha atitudes grosseiras, principalmente com os filhos de Janaína. Usava frases como 'joga essa criança no lixo', 'essas crianças têm que morrer", afirmou Pedro Rafael, primo de Janaína. Além disso, Patrick também é dono de um passado violento, tendo sido apreendido quando era adolescente, no estado do Pará, após tentar matar um professor dentro de sala de aula. (Leia reportagem especial após um mês da descoberta do crime)