Vida Urbana

Um mês após crime ser descoberto, suspeito de chacina na Espanha segue solto

Crime ocorrido na província de Guadalajara vitimou Marcos Nogueira, Janaína Santos e os dois filhos deles.



Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo
Marcos Campos e Janaína Santos foram mortos juntos com os filhos

Há exatamente um mês a pequena cidade de Pioz, na província espanhola de Guadalajara, ficou chocada com um crime bárbaro. Uma família, formada por um casal e duas crianças, foi encontrada morta dentro de casa, com os corpos colocados em sacos plásticos. As vítimas seriam identificadas depois como os paraibanos Marcos Campos Nogueira, Janaína Santos Américo e os dois filhos deles. Para a polícia espanhola, o caso está solucionado e tem um único possível autor: François Patrick Nogueira Gouveia, sobrinho de Marcos. Existe um mandado de prisão contra o jovem na Europa, mas ele está no solto no Brasil.

Os corpos do casal e das duas crianças foram encontrados esquartejados no dia 18 de setembro, no chalé em que moravam, a cerca de 60 km de Madri. As autoridades foram alertadas por um vizinho 'que percebeu o odor' vindo residência. Os investigadores acreditam que as vítimas estavam mortas há cerca de um mês. A família estava morando na Espanha há três anos, onde inclusive o filho menor nasceu.

Inicialmente, a Guarda Civil espanhola, equivalente a Polícia Federal brasileira, trabalhava com a tese de ajustes de contas, e que a chacina teria sido cometida por conhecidos. A hipótese foi levantada pelas circunstâncias em que a casa da família estava, sem sinais de arrombamento.
 

Amigos de Marcos chegaram a dizer que ele vivia de fazer empréstimos. O que levantou a suspeita de que a morte estaria ligada à prática de agiotagem. Coisa que os parentes no Brasil negaram desde o começo.

A polícia espanhola avançou nas investigações, descartou a tese de ajustes de contas e, 15 dias após a descoberta dos corpos, deu o caso como encerrado. O único suspeito é François Patrick Nogueira Gouveia, que foi apontado após a polícia achar material genético dele no local do crime.

O sobrinho de Marcos morou com a família na Espanha durante quatro meses. Segundo familiares de Janaína, durante esse período ela por várias vezes fez queixas de Patrick, dizendo que ele era agressivo e assustava a família.“Ela mostrava medo dele. Patrick tinha atitudes grosseiras, principalmente com os filhos de Janaína. Usava frases como 'joga essa criança no lixo', 'essas crianças têm que morrer'”, afirmou Pedro Rafael, primo de Janaína. Além disso, Patrick também é dono de um passado violento, tendo sido apreendido quando era adolescente, no estado do Pará, após tentar matar um professor dentro de sala de aula.
 

Para o governo espanhol, não há dúvida que Patrick é o autor do crime. Segundo o ministro do interior, Jorge Fernandez Diaz, o suspeito inclusive antecipou a volta para o Brasil possivelmente para evitar ser detido. A viagem estava marcada para 16 de novembro, mas acabou acontecendo em 19 de setembro, um dia após a descoberta dos corpos. No dia 22 de setembro, um juiz determinou um mandado de prisão e um mandado de detenção europeu e internacional contra o suspeito.


Segundo a Guarda Civil da Espanha, Patrick é um psicopata, narcisista e que não tem “apego à vida humana”. Novas provas, que começaram a ser divulgadas na semana passada, complicaram ainda mais a situação do suspeito. O GPS do telefone celular do jovem foi rastreado e confirmou que ele esteve no chalé dos parentes no dia do crime.

A imprensa espanhola divulgou que além do DNA e do GPS, câmeras de segurança da localidade flagraram Patrick nas proximidades do chalé e os investigadores confirmaram que ele pegou um ônibus com destino a Pioz no dia que o crime aconteceu.
 

"Se descubro que meu sobrinho matou meu irmão, quero que ele vá para o inferno, que vá para a prisão por toda sua vida", afirmou o irmão de Marcos e tio de Patrick, Walfran Campos, que foi para a Espanha acompanhar de perto as investigações.
 

Sem prisão no Brasil

No começo de outubro, a Superintendência da Polícia Federal divulgou que iria abrir um inquérito para investigar Patrick Gouveia no Brasil e afirmou que o mandado de prisão contra o jovem, expedido pela Justiça espanhola, não poderia ser cumprido no Brasil. Destacando ainda que ele não poderia ser extraditado, pois a Constituição Federal veda esse tipo de medida.

Segundo a PF, a corporação vem cooperando com as autoridades espanholas desde que tomou conhecimento dos fatos e vem cooperando com as autoridades espanholas. A polícia também confirmou que tomou o depoimento do jovem.

Nesta terça-feira (18), o JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com a Polícia Federal para ter maiores informações a respeito sobre a apuração no Brasil. Por email,  a comunicação da PF disse que não fornece informações a respeito de investigações em andamento.


Patrick Gouveia está no Brasil e prestou depoimento à Polícia Federal (Foto: Reprodução/TV Globo)

Acusado nega o crime

O advogado Eduardo de Araújo Cavalcanti afirmou que Patrick nega veementemente o crime. Segundo ele, o jovem não voltou para o Brasil foragido, e sim por medo de também ser vítima. “Ele não veio foragido, ele veio normalmente, temendo até pela sua integridade física, pela sua vida”, disse

Eduardo destacou que Patrick, por conta própria, decidiu ceder amostras de sangue para comparar com o material genético encontrado no local da chacina da família.
 

"Patrick residiu quatro meses com a família, então eventual material nas roupas, em objetos é plenamente compressível. Na cena do crime não há a mínima possibilidade, ele sequer sabia o endereço”, ressaltou Eduardo Cavalcanti, em entrevista ao programa Fantástico, quando houve a divulgação da presença de DNA de Patrick na casa de Marcos. Conforme Eduardo, o jovem não sabia onde os parentes estavam morando, pois tinha sido “abandonado”quando a família deixou a cidade de Torrejón.

O advogado esteve na Espanha na semana passada para ter acesso aos detalhes da investigação.