Vida Urbana

Protestos defendem a prática da vaquejada

Grupos que participam do movimento contestam decisão do STF que considerou a vaquejada ilegal



Suetoni Souto Maior
Suetoni Souto Maior
Em João Pessoa a concentração começou cedo na Praça da Independência

Defensores e trabalhadores de vaquejada protestam em defesa da prática na manhã desta terça-feira (11). Os atos acontecem em João Pessoa, na Praça da Independência, e em Campina Grande, nas proximidades do Parque de Exposições Carlos Pessoa Filho, na saída de Queimadas. Em Patos, o ato foi uma cavalgada entre o Bairro da Liberdade e o Terreiro do Forró, no Centro.  Os manifestantes contestam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou a vaquejada ilegal.

De acordo com os organizadores, mais de 300 cavalos e aproximadamente 500 pessoas participam do ato em João Pessoa, que sai da Praça da Independência em direção à Praça João Pessoa. Em Campina Grande, a estimativa é de 150 cavalos e 400 pessoas.

Em João Pessoa, o grupo saiu em cavalgada da Praça da Independência por volta das  9h50 em direção à Assembleia Legislativa, na Praça João Pessoa. No caminho, passaram pela Lagoa do Parque Solon de Lucena, ocupando metade da pista. Na Assembleia, o grupo pretende entregar um ofício aos deputados para pedir a criação de uma lei que regularize a vaquejada como esporte.

Em Campina Grande, o protesto fechou  a BR-104 entre às 10h30 e 11h, quando o ato foi finalizado e o  trânsito liberado. Lá, um grupo de mulheres também se reuniu ao grupo para apoiar o protesto.

Em decisão do STF, vaquejada é considerada prática ilegal

Na quinta-feira (6), o STF julgou inconstitucional a lei cearense 15.299/2013, que regulamentava os espetáculos de vaquejada no Estado. Com o entendimento da Corte Máxima do país, a vaquejada passa a ser considerada uma prática ilegal, relacionada a maus-tratos a animais e, portanto, proibida.

Segundo um dos organizadores da manifestação em João Pessoa, Valter Trigueiro Junior, o grupo recebeu a decisão do STF com surpresa. "Entre aqueles ministros, alguns nem se tomarem sequer conhecimento do que é uma vaquejada. A vaquejada é cultura, a vaquejada moderna tem regulamento, temos meios pelos quais  tentamos evitar os maus tratos", diz.



Muito comum no Nordeste, a vaquejada é uma atividade competitiva no qual os vaqueiros têm como objetivo derrubar o boi puxando o animal pelo rabo. De acordo com profissionais que trabalham com os eventos e que estão à frente do protesto, a decisão afeta diretamente milhares de pessoas que têm no esporte a sua fonte direta de sustento e dissemina ainda mais o pensamento de que existem maus tratos no esporte.

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“Não se pode admitir o tratamento cruel aos animais. Há que se salientar haver elementos que se distingue a vaquejada da farra do boi. Não é uma farra, como no caso da farra do boi, é um esporte e um evento cultural. Não há que se falar em atividade paralela ao Estado, atividade subversiva ou clandestina. Não há prova cabal que os animais sejam vítimas de abusos ou maus-tratos”, disse o ministro Dias Toffoli, na ocasião do julgamento.


Em Campina Grande, o protesto acontece nas proximidades do Parque de Exposições Carlos Pessoa Filho (Foto:Artur Lira - G1)

Conforme a Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ), são realizados cerca de 6 mil vaquejadas ao ano, com público circulante de 650 milhões de pessoas, o que gera lucro de R$ 700 milhões, além de 600 mil empregos indiretos e 130 mil diretos.

“Talvez por não conhecerem bem a realidade da vaquejada, muitos não têm ideia do impacto que essa decisão causará nas famílias nordestinas. Serão milhões de desempregos, sem contar a perda cultural”, afirmou o presidente da ABVAQ, Paulo Filho. “Não podemos apagar um legado de cem anos, muito menos levar milhões de famílias à miséria”, acrescentou.