Vida Urbana

Defensores protestam contra a proibição da vaquejada

Atos ocorrem nesta terça-feira (11) a partir das 9h em ambas as cidades.



Nesta terça-feira (11), manifestações a favor da manutenção da vaquejada serão realizadas em João Pessoa e Campina Grande. Na capital paraibana, o evento acontece na Praça da Independência com destino a praça dos Três Poderes, às 9h. Já em Campina, o protesto ocorre em frente ao Parque de Exposições Carlos Pessoa Filho, na saída para Queimadas, no mesmo horário.

O ato seria uma resposta à decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que julgou na última quinta-feira (6) inconstitucional a lei cearense 15.299/2013, que regulamentava os espetáculos de vaquejada no Estado. Com o entendimento da Corte Máxima do país, a vaquejada passa a ser considerada uma prática ilegal, relacionada a maus-tratos a animais e, portanto, proibida.

“Não se pode admitir o tratamento cruel aos animais. Há que se salientar haver elementos que se distingue a vaquejada da farra do boi. Não é uma farra, como no caso da farra do boi, é um esporte e um evento cultural. Não há que se falar em atividade paralela ao Estado, atividade subversiva ou clandestina. Não há prova cabal que os animais sejam vítimas de abusos ou maus-tratos”, disse o ministro Dias Toffoli, na ocasião do julgamento.

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Muito comum no Nordeste, a vaquejada é uma atividade competitiva no qual os vaqueiros têm como objetivo derrubar o boi puxando o animal pelo rabo. De acordo com profissionais que trabalham com os eventos e que estão à frente do protesto, a decisão afeta diretamente milhares de pessoas que têm no esporte a sua fonte direta de sustento e dissemina ainda mais o pensamento de que existem maus tratos no esporte.

Arrecadação

Conforme a Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ), são realizados cerca de 6 mil vaquejadas ao ano, com público circulante de 650 milhões de pessoas, o que gera lucro de R$ 700 milhões, além de 600 mil empregos indiretos e 130 mil diretos.

“Talvez por não conhecerem bem a realidade da vaquejada, muitos não têm ideia do impacto que essa decisão causará nas famílias nordestinas. Serão milhões de desempregos, sem contar a perda cultural”, afirmou o presidente da ABVAQ, Paulo Filho. “Não podemos apagar um legado de cem anos, muito menos levar milhões de famílias à miséria”, acrescentou.