Vida Urbana

Greve dos bancários deve terminar; trabalho será retomado nesta sexta-feira

Comando Nacional de greve orientou aprovação da proposta dos bancos.



Jailton Garcia/Contraf-CUT
Jailton Garcia/Contraf-CUT
Bancários conseguiram ajuste de 8%, abono de R$ 3,5 mil, e aumento em vale-refeição, vale-alimentação e auxílio creche/babá

Os bancários voltam ao trabalho nesta sexta-feira (7). Segundo o Sindicato dos Bancários da Paraíba, o Comando Nacional dos Bancários orientou a aprovação da proposta nas assembleias que acontecem nesta quinta-feira (6) no Brasil inteiro. Após 30 dias de greve, o que fez com que se tornasse a greve mais longa da história dos últimos 12 anos, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta quarta-feira (5), em São Paulo, uma nova proposta para o Comando Nacional dos Bancários. O acordo de dois anos prevê 8% de reajuste mais abono de R$ 3,5 mil, em 2016.

O acordo segue com novidades no vale-alimentação, com um reajuste proposto maior, de 15% e no vale-refeição e no auxílio creche/babá é de 10%. Para 2017, a Fenaban aceitou repor integralmente a inflação (INPC/IBGE) mais 1% de aumento real nos salários e em todas as verbas. Segundo informações, informalmente os próprios bancários já comentam sobre o retorno aos trabalhos nesta sexta-feira (7).

Sobre os dias parados durante a greve, a Fenaban insistia na compensação de todos, sem prazo limite. Mas o Comando Nacional não aceitou a postura dos banqueiros e conseguiu arrancar, na mesa de negociação, o abono total dos dias parados. A Fenaban disse, porém, que proposta só vale até as assembleias desta quinta-feira (6),  com retorno ao trabalho na sexta feira (7).

Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, avalia que os bancários saem vitoriosos de uma das campanhas mais difíceis dos últimos anos, impactada pela conjuntura política e econômica do país. “A primeira proposta de Fenaban que reajustava nossos salários em 6,5% foi apresentada no dia 29 de agosto, em plena efervescência política do processo de impeachment, que aconteceria dois dias depois. Iniciamos nossa greve com um novo governo, que estabeleceu medidas e ajustes que prejudicaram as nossas reivindicações. Os banqueiros insistiram em um modelo aplicado nos anos 90 na Era FHC de reajustar salários abaixo da inflação e conceder abono para compensar a diferença”, afirmou.

O presidente da Contraf-CUT também destacou a discussão sobre um novo modelo de acordo que não resultasse em retrocesso para a categoria. “O debate de um modelo diferente, que garantisse que aquela velha fórmula não voltaria em 2017 apareceu no cenário e foi considerado importante pelo Comando. A presença dos bancos públicos na CCT de 2017 e a garantia de reajuste acima da inflação para todos era fundamental", destacou Roberto. "Garantimos a extensão dos direitos e valores para todos os bancos públicos, diferente dos anos 90, mas uma vitória inédita foi a garantia do não desconto e da não compensação dos dias da greve, um instrumento medieval de punição dos grevistas”, avaliou.

Durante a décima rodada de negociação, os bancos também concordam em implantar a licença-paternidade de 20 dias, conforme lei sancionada neste ano, durante o governo Dilma Rousseff.

Greve histórica
Nesta quarta-feira (5) a greve se manteve forte, 13.123 agências e 43 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas, o que representa 55% dos locais de trabalho em todo o país. A greve foi a mais longa desde 2004, prolongando-se por mais de 30 dias. "Fizemos uma greve forte e, em um ambiente de alta incerteza política e econômica, a categoria garantiu ganho real em 2017 e para este ano manteve a valorização em itens importantes como vale alimentação, refeição e auxilio creche. Garantimos também a não compensação dos dias parados e o Comando vai orientar a aprovação nas assembleias", disse Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.